O Observatório Softex, unidade de pesquisa e inteligência estratégica da entidade voltada ao apoio na formulação de políticas públicas, acaba de lançar o primeiro caderno do estudo TICs 2026, que analisa o desempenho da Indústria de Software e Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (ISSTIC) no Brasil e no mundo. A publicação destaca a consolidação da economia digital como motor relevante do crescimento global, ponderando que, apesar dos avanços recentes, o país ainda enfrenta desafios estruturais para ampliar sua competitividade internacional.
Segundo o estudo, os segmentos ISSTIC globais deverão movimentar US$ 4,66 trilhões em 2026, com expansão anual de 9,25%. A indústria de software deve alcançar US$ 1,43 trilhão, impulsionada pela inteligência artificial generativa, computação em nuvem e modelos SaaS. Já os serviços de TI permanecem como o maior segmento, com previsão de atingir US$ 1,86 trilhão.
O levantamento também revela forte concentração da economia digital mundial. Os Estados Unidos respondem por 41% do mercado global de TIC, enquanto China e União Europeia detêm 11% cada. No comércio internacional, cinco países são responsáveis por 54% das exportações do setor, ampliando barreiras para economias emergentes expandirem suas participações. “Esse nível de concentração favorece poucas nações e limita a capacidade de países em desenvolvimento competir e inovar”, afirma Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.
O Brasil se destaca como mercado consumidor de tecnologia, mas mantém baixa inserção internacional. Em 2024, o país movimentou US$ 19,5 bilhões em comércio exterior de TIC, com déficit estrutural: as importações somaram US$ 13,33 bilhões, 116% acima das exportações, que representaram apenas 0,5% do total global.
Mesmo com esse cenário, o mercado interno segue em expansão. Em 2025, o setor movimentou R$ 389 bilhões (3,06% do PIB). Para 2026, a projeção é de crescimento de 10,25% na indústria de software e de 19,41% nos serviços de TI. A receita operacional líquida das empresas da ISSTIC atingiu R$ 463,6 bilhões e poderá alcançar R$ 877,5 bilhões até 2030, aproximando o setor de um patamar quase duas vezes maior que o atual.
O estudo aponta que a competitividade brasileira depende de políticas estruturantes voltadas à infraestrutura digital, formação de profissionais, inovação e internacionalização. “Para reduzir assimetrias, o país precisa fortalecer políticas de capacitação e acelerar investimentos em conectividade, inteligência artificial, computação em nuvem e cibersegurança”, destaca Rayanny Nunes.
Os próximos cadernos da série aprofundarão no perfil das empresas de TIC, no mercado de trabalho e em três temas estratégicos para a competitividade nacional: inteligência artificial, internacionalização e ESG. A íntegra do primeiro caderno está disponível para download gratuito aqui.
Por Mário Pereira
Agência Softex