Modelos de inteligência artificial capazes de realizar cálculos complexos, interpretar emoções pela voz e simular cenários de negócios estão entre as dez tendências estratégicas para 2027 apresentadas pelo Gartner durante o IT Symposium/Xpo™ 2026, em Orlando. Na palestra Top Strategic Technology Trends for 2027, o analista Gene Alvarez afirmou que as organizações devem considerar tanto o potencial das inovações quanto seu grau de maturidade e o momento adequado para adotá-las. A lista foi dividida em três grupos: novas capacidades de IA, governança de agentes autônomos e tecnologias voltadas à autonomia empresarial.
A primeira frente amplia a IA para além da geração de textos. Os modelos quantitativos de grande escala (Large Quantitative Models) usam matemática, estatística e princípios da física para produzir análises e previsões mais confiáveis. Os modelos de raciocínio por voz (Speech Reasoning Models) interpretam entonação, interrupções e sinais de frustração, com possíveis aplicações no atendimento ao cliente. Já os World Models simulam situações reais e antecipam os efeitos de decisões. Alvarez citou como exemplo uma fabricante de calçados no Brasil que poderia avaliar o impacto de um furacão no Caribe sobre rotas marítimas e estoques. Segundo o Gartner, simulações espaciais tridimensionais de eventos poderão se tornar viáveis até 2031.
O segundo grupo reúne quatro tendências relacionadas ao controle e à segurança dos sistemas autônomos. As plataformas de contexto de IA organizam dados, políticas e conhecimentos corporativos para orientar os agentes conforme as regras da empresa. Os AI Coding Harnesses estabelecem controles para o desenvolvimento de software realizado por agentes, enquanto as soluções de identidade definem permissões específicas para acessar informações e executar tarefas. A remediação autônoma de vulnerabilidades, por sua vez, utiliza IA para identificar e corrigir falhas durante o desenvolvimento e a operação dos sistemas. Para Alvarez, o aumento da autonomia exige mecanismos capazes de limitar acessos, acompanhar ações e verificar os resultados produzidos.
Soberania tecnológica, aplicações descartáveis e computação biológica completam a lista. A soberania deixa de envolver apenas a localização dos dados e passa a abranger chips, serviços em nuvem, modelos de IA e fornecedores de software. A recomendação é preparar alternativas que permitam substituir tecnologias e provedores sem interromper as operações. As aplicações descartáveis (Disposable Applications) são desenvolvidas para funcionar enquanto geram valor e ser desativadas quando deixam de ser necessárias. Mais experimental, o Wetware as a Service propõe utilizar material biológico vivo no processamento computacional. A tecnologia poderá levar de quatro a nove anos para amadurecer, embora já ofereça possibilidades para projetos-piloto.
Para as empresas brasileiras, as tendências apontam a necessidade de combinar inovação, governança e flexibilidade tecnológica. Modelos quantitativos e simulações podem aprimorar decisões, enquanto identidades digitais e controles de acesso ganham relevância à medida que agentes assumem tarefas mais complexas. A soberania também se torna estratégica diante da dependência de infraestruturas e fornecedores internacionais.
Antes de encerrar sua palestra, Alvarez recomendou que os diretores de tecnologia da informação (CIOs) classifiquem cada tendência em três categorias: agir agora, acompanhar sua evolução ou aguardar maior maturidade.
O Brasil marca presença no Gartner IT Symposium/Xpo™ 2026 pelo 21º ano consecutivo com uma delegação de 20 empresas, em mais uma iniciativa do Brasil IT+, projeto setorial desenvolvido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com a Softex.
Confira as dez tendências estratégicas do Gartner para 2027
- Modelos quantitativos de grande escala (Large Quantitative Models)
Utilizam matemática, estatística e física para realizar cálculos, previsões e análises com maior precisão. - Modelos de raciocínio por voz (Speech Reasoning Models)
Interpretam entonação, interrupções e sinais emocionais para compreender melhor as interações por voz. - Modelos de mundo (World Models)
Simulam cenários reais e ajudam a antecipar os possíveis efeitos de decisões empresariais. - Plataformas de contexto de IA (AI Context Platforms)
Organizam dados, políticas e conhecimentos corporativos para orientar o comportamento dos agentes. - Estruturas de controle para programação com IA (AI Coding Harnesses)
Estabelecem regras e mecanismos de supervisão para o software desenvolvido por agentes inteligentes. - Identidade de agentes de IA (AI Agent Identity)
Define credenciais, permissões e limites de acesso para cada agente dentro dos sistemas corporativos. - Remediação autônoma de vulnerabilidades
Usa inteligência artificial para identificar, priorizar e corrigir falhas de segurança automaticamente. - Soberania tecnológica
Amplia o controle sobre dados, chips, nuvem, modelos de IA, softwares e fornecedores estratégicos. - Aplicações descartáveis (Disposable Applications)
São criadas para atender a uma necessidade temporária e desativadas quando deixam de gerar valor. - Computação biológica como serviço (Wetware as a Service)
Explora o uso de material biológico vivo como base para novos modelos de processamento computacional.
Por Karen Kornilovicz
Agência Softex