O presidente da Softex, Christian Tadeu, participou do MWC Shanghai 2026, realizado entre 24 e 26 de junho, em Xangai (China), um dos principais eventos globais de tecnologia, conectividade e inovação como integrante da comitiva da Huawei. A presença ocorreu em meio à intensificação dos debates sobre inteligência artificial e soberania digital, temas centrais desta edição, que reuniu mais de 45 mil participantes de 128 países, além de cerca de 400 expositores e palestrantes.
Organizado pela GSMA, o Mobile World Congress Shanghai é uma das principais plataformas internacionais para apresentação de tecnologias emergentes e articulação entre empresas, governos, investidores e centros de pesquisa. Em 2026, o evento teve como tema “The IQ Era” (Era da Inteligência), destacando a transição para uma nova fase da economia digital baseada na integração entre inteligência artificial e capacidades humanas.
A programação foi estruturada em eixos que refletiram as principais tendências do setor, com destaque para inteligência artificial aplicada aos negócios (AI 4 Enterprise), infraestrutura inteligente, IA móvel e conectividade avançada. A grade incluiu ainda temas como IA generativa, redes 5G Advanced, perspectivas para o 6G, computação em nuvem, Internet das Coisas (IoT), robótica humanoide, conectividade via satélite e aplicações industriais de IA em setores como saúde, energia, mobilidade, manufatura e cidades inteligentes.
Em reunião durante a Latam Round Table, Christian Tadeu destacou a formação de talentos como eixo central para o avanço da inteligência artificial. “A inteligência artificial está redefinindo a base da competitividade global. Mais do que tecnologia, falamos de pessoas. Sem formação de talentos em escala, não há soberania digital nem capacidade sustentável de inovação. O desafio das nações é transformar conhecimento em capacidade produtiva e inclusão”, ponderou.
O presidente da Softex acrescentou que o avanço da IA depende de estratégias integradas de qualificação profissional, cooperação internacional e desenvolvimento de ecossistemas tecnológicos. “Os debates realizados no evento devem contribuir para o fortalecimento de parcerias e para a ampliação de iniciativas de capacitação em inteligência artificial, em linha com as demandas da economia digital”, disse.
Formação e impacto da IA no Brasil
A resposta do Brasil ao desafio de formação em inteligência artificial avança por meio de iniciativasestruturadas entre o governo federal e 26 organizações parceiras. O programa estabelece a meta de capacitar 5 milhões de brasileiros até 2027, com investimento de R$ 14,7 bilhões em infraestrutura de nuvem e IA ao longo de três anos. Até o momento, já foram formados 2,5 milhões de profissionais, o que indica escala e velocidade na ampliação da qualificação digital no país.
A Softex tem atuado como um dos principais agentes de formação e fortalecimento do ecossistema tecnológico. Em 2025, a instituição capacitou 400 mil pessoas em programas de tecnologia e inovação, alcançando um total acumulado de 4,5 milhões de profissionais atendidos. As iniciativas também contemplam inclusão: mais de 600 mil mulheres já foram impactadas por ações voltadas à formação e à inserção no setor de tecnologia.
A expansão da inteligência artificial traz impactos diretos para o mercado de trabalho na região. Na América Latina, a demanda é estimada em 2,5 milhões de profissionais de TIC, enquanto a IA generativa pode afetar entre 26% e 38% dos empregos. Ao mesmo tempo, projeções indicam a criação de cerca de 78 milhões de novas oportunidades até 2030, condicionadas à disponibilidade de mão de obra qualificada. Para o presidente da Softex, “a formação em larga escala e com inclusão é hoje um fator determinante não apenas para competitividade, mas para reduzir desigualdades no acesso às tecnologias e garantir participação mais ampla na economia digital”.
Brasil busca protagonismo em IA
Segundo dados do policy brief “Diretrizes Estratégicas para uma Inteligência Artificial Brasileira”, elaborado pelo Observatório Softex, unidade de pesquisa e inteligência estratégica da entidade voltada ao apoio na formulação de políticas públicas, o Brasil avança na adoção de inteligência artificial acima da média da OCDE, mas ainda enfrenta desafios estruturais para consolidar soberania tecnológica e ampliar a captura local de valor. O estudo aponta que, embora haja evolução no uso da tecnologia, o país ainda não converte plenamente esse movimento em capacidade produtiva e autonomia computacional.
O levantamento destaca ativos estratégicos relevantes, como 198 data centers projetados para 2026, matriz elétrica 88,2% renovável, liderança regional em software e serviços de TIC e um ecossistema em expansão de modelos de linguagem em português, com 38 LLMs desenvolvidos entre 2020 e 2024. Por outro lado, aponta gargalos importantes: 37% das empresas citam a falta de especialistas em TI como principal barreira à adoção de IA, enquanto 45% ainda não possuem política formal de segurança digital. O conteúdo também alerta para o risco de o país se tornar apenas hospedeiro de infraestrutura global, recomendando contrapartidas em inovação, P&D e soberania de dados.
No campo da formação de talentos, o policy brief indica que 79% dos desenvolvedores já utilizam IA, embora de forma ainda cautelosa em etapas estratégicas, o que sinaliza a reconfiguração das funções profissionais para supervisão e governança. O material também destaca a evasão em cursos de TIC e a necessidade de ampliar e qualificar a formação em inteligência artificial. A conclusão é que o Brasil tem potencial para se consolidar como produtor competitivo de IA, desde que avance de forma integrada em infraestrutura, capacitação de talentos, base industrial e regulação, dentro de uma janela estimada de três a cinco anos.
Clique aqui para acessar gratuitamente a íntegra deste levantamento do Observatório Softex.

Por Karen Kornilovicz
Agência Softex