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Mulheres ocupam só 4,7% das chefias de IA no Brasil

As mulheres ocupam apenas 4,7% dos cargos de liderança em empresas de inteligência artificial (IA) no Brasil, abaixo da média global de 13,3%, segundo levantamento do LinkedIn sobre diversidade no mercado de IA. O estudo analisou dados de 15 mil empresas em 27 países e mostra que a participação feminina é menor tanto nas funções ligadas à IA quanto nos postos de comando.

No mundo, as mulheres representam 13% dos cargos executivos em empresas de IA, ante 19% nos demais setores. Entre os profissionais que atuam em funções relacionadas à tecnologia, elas correspondem a 27% nas empresas de IA, contra 31% nas demais companhias. No Brasil, a participação feminina em funções não executivas de IA é de 22,1%.

A desigualdade aparece também no início da trajetória profissional. Segundo o levantamento, apenas 29% dos cargos de entrada na área de IA são ocupados por mulheres. Nos Estados Unidos, elas responderam por 26% das contratações para funções de inteligência artificial, enquanto nas demais áreas a participação chegou a 50%.

O cenário se repete nos cargos estratégicos. Mulheres representaram 20% das contratações para posições de diretor de IA e 18% das contratações para equipes técnicas. Entre os diretores de tecnologia, ou Chief Technology Officer (CTO), a participação feminina foi de 9,3%.

O porte das empresas também influencia esse quadro. Nas companhias de IA com 51 a 200 funcionários, as mulheres ocupam 11,8% dos cargos executivos. Nas empresas maiores, o percentual sobe para 21,6%.

A baixa presença feminina ocorre em um mercado que oferece algumas das maiores remunerações do setor de tecnologia. De acordo com o LinkedIn, a remuneração média das funções relacionadas à IA é mais que o dobro da registrada nas demais ocupações. Nos Estados Unidos, o número de vagas ligadas à tecnologia também praticamente dobrou nos últimos anos.

Para Sarah Steinberg, chefe de parcerias globais de políticas públicas do LinkedIn, a baixa participação das mulheres pode restringir o acesso a oportunidades de mobilidade econômica criadas pela expansão da inteligência artificial.

7 diretrizes para ampliar a presença feminina na tecnologia

O estudo W-Tech,  produzido pelo Observatório Softex, unidade de pesquisa e inteligência estratégica voltada ao apoio à formulação de políticas públicas para TICs, propõe sete diretrizes integradas para que governo, empresas e instituições de ensino promovam avanços reais na atração de talentos femininos para a indústria de tecnologia: diagnosticar os pontos de entrada, evasão e avanço das mulheres na formação e no mercado; pactuar compromissos públicos com metas claras e relatórios semestrais; monitorar com transparência por meio de dados abertos e indicadores padronizados; implementar políticas de diversidade em compras e programas de inovação; ofertar incentivos fiscais e econômicos vinculados à redução de desigualdades; apoiar a parentalidade e o retorno ao trabalho, especialmente entre mulheres de 35 a 40 anos; e responsabilizar empresas e instituições pelo cumprimento das metas, com revisões anuais e participação social.

Essas medidas, articuladas com políticas de educação, trabalho e inovação, podem transformar o cenário atual. Segundo o Observatório Softex, a incorporação de 15,6 mil mulheres por ano seria suficiente para que o Brasil alcançasse a paridade no setor apenas em 2110.

“A diversidade é a força que impulsiona o futuro do nosso setor. Não basta falar em inovação sem falar em inclusão. Precisamos de políticas permanentes, métricas claras e comprometimento real de todos os atores – governo, empresas e academia – para garantir que as mulheres estejam no centro da transformação digital brasileira”, explica Rayanny Nunes, Coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.

Redação Agência Softex