O Observatório Softex acaba de lançar o segundo caderno do estudo TICs 2026, analisando como as empresas brasileiras inovam e quais fatores estruturais influenciam o futuro da Indústria de Software e Serviços de TIC (ISSTIC). O documento reúne dados oficiais e benchmarks internacionais para apresentar um panorama atualizado sobre formação de talentos, mercado de trabalho, adoção tecnológica, P&D e startups.
A formação em TI segue como eixo estratégico. Em 2024, o Brasil registrou 4.190 cursos de TI, equivalentes a 9,2% do ensino superior. A oferta permanece concentrada no Sudeste, responsável por 50% dos cursos, com São Paulo liderando com 30,57% do total nacional. O ensino a distância domina a expansão: 87,3% das vagas estão no EaD, que também impulsionou o crescimento no número de concluintes. Em 2024, o país formou 109.875 profissionais de TI, sendo 65.408 pelo EaD.
Apesar da ampliação da oferta, desafios persistem. “Cerca de 71% dos cursos avaliados pelo ENADE obtêm conceitos 2 ou 3, enquanto a evasão ultrapassa 50% no EaD privado”, destaca Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex. Ao mesmo tempo, áreas emergentes avançam rapidamente: matrículas em Inteligência Artificial cresceram de 396 para 3.250 entre 2022 e 2024, e vagas em Defesa Cibernética saltaram de 4.785 para 113.080 entre 2019 e 2024.
O estudo também mostra a evolução da base empresarial. Em 2025, o Brasil registrou 627.124 empresas ISSTIC, alta de 21% entre 2023 e 2025. A Indústria de Software se destaca com crescimento de 15,5% dos CNPJs ISSTIC fora do Simples Nacional. O uso de IA passou de 12,94% para 17,46% na média das empresas, e a nuvem já está presente em 55,64% delas. Entre as principais barreiras à inovação, aparecem o custo da tecnologia (78,6%) e a escassez de profissionais (54,2%).
No mercado de trabalho, a ISSTIC registrou 1,32 milhão de vínculos formais em 2025, com saldo positivo de 29.826 vagas. A remuneração média, R$ 8.253,55, supera em 64,28% a média do setor de serviços. A densidade de empregos qualificados evidencia desigualdades regionais: São Paulo concentra 340,5 empregos por 100 mil habitantes, frente à média nacional de 39,82.
O ecossistema de inovação também avança. O país conta com 583 ICTs mapeadas, e os registros de software no INPI cresceram de 2.099 para 7.232 entre 2020 e 2025. Já o universo de startups reúne 3.923 empresas de base tecnológica, embora a maturidade ainda seja baixa: 67% estão em validação ou tração, e apenas 3,3% em escala.
Para Rayanny Nunes, o estudo reforça a necessidade de integração entre formação, empresas, P&D e startups. “Fortalecer a competitividade nacional exige ampliar a qualidade da formação, reduzir desigualdades regionais e consolidar políticas de inovação capazes de transformar conhecimento em novos negócios escaláveis”, conclui.
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Por Mário Pereira
Agência Softex