A Missão África do Sul, promovida pelo Brasil IT+ entre os dias 21 e 25 de setembro, gerou mais de 900 contatos comerciais para as cinco participantes da delegação brasileira. A iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com a Softex, reuniu EvoSystems, Fundação CITeB, SoftExpert, Zlife PET e IseTool em uma agenda de prospecção realizada na Cidade do Cabo e em Stellenbosch.
A programação incluiu reuniões com empresas, investidores e instituições de pesquisa e formação profissional. O objetivo foi identificar oportunidades de negócios, conhecer as demandas locais e avaliar possíveis canais de entrada no mercado sul-africano.
A África do Sul concentra um dos principais mercados de tecnologia do continente e funciona como base para empresas interessadas em ampliar sua atuação na região. Segundo dados citados pelo Departamento de Comunicações e Tecnologias Digitais do país, o mercado de Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC) registrou crescimento anual de 7,7%. A demanda inclui soluções de inteligência artificial, serviços em nuvem, segurança cibernética, comércio eletrônico, telecomunicações e tecnologias financeiras. O mercado sul-africano de inteligência artificial foi estimado em US$ 3,4 bilhões em 2025, impulsionado principalmente pelos setores financeiro, varejista, industrial, de saúde e telecomunicações.
Conexões com empresas e investidores
A delegação se reuniu com representantes da Naspers/Prosus e da Takealot para conhecer as operações dos grupos e discutir possibilidades de aproximação entre os mercados africano e latino-americano. Na Pick n Pay, uma das principais redes varejistas do país, as empresas brasileiras acompanharam a estratégia de tecnologia da companhia, incluindo aplicações de inteligência artificial e a contratação de soluções desenvolvidas por fornecedores externos.
A agenda também contou com uma reunião na MTN, operadora de telecomunicações com atuação em diferentes países africanos. As conversas abordaram a transformação digital da empresa e os caminhos disponíveis para organizações estrangeiras interessadas em ingressar no mercado local. Na Innovation City, as integrantes da missão apresentaram suas soluções durante um Pitch Day e conversaram com startups, investidores e potenciais parceiros.
Uma recepção com representantes da Pepkor, Wesgro, Launch Africa, 33Signals e Nineteen68 ampliou os contatos da delegação. O encontro contou com a presença do cônsul brasileiro Fernando da Silva e abriu espaço para conversas sobre investimentos, cooperação comercial e desenvolvimento de projetos conjuntos.
Nas visitas à UVU Africa e à UVU Bio, os participantes discutiram possibilidades de colaboração com o CAPACITI, programa dedicado à formação e à inserção de profissionais no setor de tecnologia. Em Stellenbosch, a delegação conheceu as atividades do LaunchLab e da Universidade de Stellenbosch, com foco em incubação, desenvolvimento de negócios e conexão com empresas e instituições locais.
A missão permitiu que as empresas brasileiras confrontassem suas estratégias com as condições reais do mercado sul-africano. Em uma das reuniões, por exemplo, uma solução baseada em WhatsApp precisou ser repensada diante da baixa disponibilidade de smartphones e de acesso à internet entre parte dos usuários, abrindo a possibilidade de uso de SMS. As visitas à Innovation City, ao LaunchLab e a outras instituições também apresentaram modelos de inovação e práticas que podem ser adaptados no Brasil, além de criarem oportunidades para uma cooperação empresarial nos dois sentidos.
“O principal legado da missão é mostrar que a internacionalização não pode ser planejada apenas a partir de relatórios ou pesquisas feitas a distância. É preciso estar no mercado, conversar com empresas e entender como as pessoas realmente utilizam a tecnologia. Esse aprendizado ajuda a adaptar as soluções, reduz erros na entrada comercial e cria relações de confiança. A África do Sul pode funcionar como uma porta de entrada para outros mercados africanos, assim como o Brasil pode aproximar empresas sul-africanas da América Latina. As conexões construídas durante a missão formam a base para que esse intercâmbio continue e gere negócios nos dois continentes”, explica Werner Trieloff, consultor responsável pela organização da missão.
ZLife Pets avalia adaptação da plataforma ao mercado sul-africano
A ZLife Pets participou da missão para conhecer as demandas de clínicas e hospitais veterinários da África do Sul, avaliar adaptações na plataforma e buscar parceiros para projetos-piloto, integrações com sistemas locais e apoio à entrada comercial. A solução utiliza inteligência artificial para transcrever consultas, organizar os dados dos pacientes e analisar sintomas, histórico clínico, exames laboratoriais e imagens. Com base nessas informações, apresenta hipóteses diagnósticas e possibilidades de conduta, preservando a decisão final do médico-veterinário. A plataforma reúne mais de mil usuários em 15 países, e a África do Sul já aparecia como o segundo mercado com maior procura pela ferramenta.
“A missão mostrou que existem oportunidades junto a clínicas, hospitais, instituições de ensino e investidores, mas também revelou a necessidade de adequar preços à moeda local, observar as regras de proteção de dados e compreender o vocabulário clínico, os medicamentos e os sistemas utilizados no país. Agora, vamos retomar os contatos, acompanhar os profissionais que já testam a plataforma e selecionar clínicas interessadas em projetos-piloto. Os resultados orientarão a definição do modelo comercial, a escolha de parceiros e a avaliação da África do Sul como ponto inicial para uma expansão gradual na região”, conclui Wilson Cesar Savegnago, CEO e fundador da ZLife Pets.
Por Karen Kornilovicz
Agência Softex