A aproximação entre empresas brasileiras de tecnologia e compradores internacionais foi o foco do Brasil IT+ Buyers Experience 2026, que realizou três edições em diferentes regiões do país. Promovida pelo Brasil IT+, iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com a Softex, a ação levou nos meses de setembro e outubro representantes de organizações norte-americanas às cidades de Recife, Manaus e Porto Alegre. A proposta foi facilitar o acesso de empresas brasileiras a potenciais clientes estrangeiros, reduzir custos de prospecção internacional e ampliar a visibilidade dos ecossistemas regionais de inovação.
Além das rodadas gratuitas de negócios, a programação incluiu visitas técnicas, encontros com instituições de pesquisa e painéis sobre internacionalização. A estratégia buscou apresentar aos compradores não apenas as soluções desenvolvidas pelas empresas participantes, mas também a infraestrutura tecnológica e as competências existentes em diferentes regiões brasileiras. As reuniões comerciais foram organizadas para aproximar empresas com interesses de negócios, enquanto as atividades abertas abordaram temas como validação de produtos, expansão internacional, pesquisa de mercado e estratégias de crescimento.
Três regiões, diferentes oportunidades de negócios
A primeira edição aconteceu em 17 de setembro, no CESAR, em Recife, com a participação das empresas norte-americanas BIS Computer, Centreville Tech e EC Cyber Consulting. As rodadas de negócios reuniram CWS Platform, CESAR, Dobslit, Loc Plataforma Audiovisual, Portsync e Voxar Labs. No dia anterior, os compradores conheceram o Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco, o Instituto SENAI de Inovação e o Porto Digital. A programação também contemplou debates sobre estratégias para transformar produtos em negócios recorrentes, internacionalização e o papel dos ecossistemas na expansão empresarial.
Em Manaus, no dia 1º de outubro, a Fundação Paulo Feitoza (FPFtech) recebeu a segunda edição, com representantes da EC Cyber Consulting, Franklin Covey e Scarlet Risk/Exterro. Participaram das rodadas comerciais Amazon Carbon Connection, BioAmazon, BioLinker, BioSpin, Inajá, FPF Tech e Rogow. A agenda incluiu visitas ao Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal do Amazonas e à FPFtech, além de painéis sobre ferramentas de pesquisa de mercado, internacionalização de startups e critérios utilizados por compradores estrangeiros na avaliação de novos parceiros comerciais.
A terceira edição foi realizada em 8 de outubro, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre, com a presença de representantes da EC Cyber Consulting, Alcorn State University e Keystone Industries. As empresas brasileiras Demander, Softdesign, Solis, Miind Inteligência Artificial, Nacar Design, Bluenano e BlueMetrics participaram das reuniões. A programação foi precedida por visitas técnicas à Tecnopuc e ao Instituto SENAI de Inovação, permitindo aos convidados conhecer iniciativas de pesquisa, desenvolvimento e inovação da região Sul.
Comprador americano destaca oportunidades para a tecnologia brasileira
Para Michael Macho, presidente de divisão da BIS Computer Solutions, que participou da edição de Recife, a experiência contribuiu para ampliar seu conhecimento sobre o setor brasileiro de tecnologia. Em sua primeira visita ao país, o executivo destacou o preparo das empresas participantes e identificou oportunidades de colaboração em áreas como rastreamento de estoques com drones e identificação por radiofrequência (RFID), além de tecnologias relacionadas à sustentabilidade de centros de dados (data centers).
Responsável por negócios nas áreas de desenvolvimento de software, consultoria, serviços gerenciados e infraestrutura de nuvem, Macho ressaltou que o ingresso no mercado norte-americano exige mais do que uma solução tecnologicamente consistente. Segundo ele, empresas interessadas em estabelecer parcerias nos Estados Unidos precisam demonstrar estabilidade, compreender a cultura empresarial local e apresentar com clareza os benefícios econômicos de seus produtos. Redução de custos, economia de tempo e ganhos operacionais estão entre os argumentos que, em sua avaliação, devem orientar as apresentações comerciais.
O executivo também chamou a atenção para a importância de parceiros locais na expansão internacional. Na sua avaliação, essas conexões devem ir além da abertura de contatos comerciais, oferecendo conhecimento sobre as práticas de negócios e as particularidades do mercado americano. Macho observou ainda que a capacidade de construir relacionamentos e adaptar estratégias às expectativas dos compradores pode ser determinante para a continuidade das negociações.
Ao levar compradores internacionais a três regiões brasileiras, o Brasil IT+ Buyers Experience 2026 ampliou as possibilidades de contato comercial sem exigir que as empresas nacionais viajassem ao exterior. A iniciativa também proporcionou aos visitantes uma visão mais abrangente da produção tecnológica brasileira, incluindo empresas, centros de pesquisa e instituições de inovação. As conexões estabelecidas durante as rodadas representam oportunidades para o desenvolvimento de futuras parcerias e negócios internacionais, cuja concretização dependerá do acompanhamento das negociações iniciadas nos encontros.
Por Karen Kornilovicz
Agência Softex