Um levantamento recente do Boston Consulting Group (BCG) revela uma mudança relevante na forma como as empresas estão lidando com a inteligência artificial: o tema deixou de ser apenas tecnológico e passou a ocupar o centro das decisões estratégicas. O estudo indica que os investimentos corporativos em IA devem dobrar até 2026, refletindo a crescente prioridade dada ao tema nas altas lideranças.
Segundo a pesquisa global As AI Investments Surge, CEOs Take the Lead, que ouviu cerca de 2.400 executivos, incluindo 640 CEOs em 16 mercados, 72% dos presidentes das empresas afirmam liderar diretamente as decisões relacionadas à inteligência artificial. O número representa o dobro do registrado no levantamento anterior, sinalizando uma clara mudança de postura.
O apetite por investimento também chama atenção. De acordo com o BCG, 94% dos CEOs pretendem manter ou ampliar os aportes em IA, mesmo diante de retornos ainda incertos no curto prazo. A expectativa, no entanto, é positiva: 82% acreditam que haverá retorno sobre o investimento em até um ano, enquanto nove em cada dez executivos projetam que a tecnologia vai redefinir o conceito de sucesso em seus setores até 2028.
Na prática, esse movimento deve se refletir nos orçamentos. A consultoria estima que os investimentos em IA passarão de cerca de 0,8% da receita das empresas para 1,7% até 2026. Além disso, 90% dos CEOs acreditam que soluções baseadas em agentes de IA já devem gerar resultados mensuráveis dentro desse horizonte.
Apesar do entusiasmo, o avanço da tecnologia ainda levanta preocupações. Mais da metade dos executivos (53%) aponta riscos relacionados à privacidade de dados e segurança cibernética, enquanto 41% mencionam a dificuldade de compreender ou controlar as decisões tomadas por sistemas de IA.
Para Alexandre Montoro, diretor executivo e sócio do BCG, o movimento vai além da adoção de uma nova ferramenta. Em comunicado, ele afirma que a IA já é vista como um catalisador de transformação profunda nas organizações — a ponto de metade dos CEOs acreditar que a própria estabilidade no cargo dependerá do sucesso na implementação da tecnologia.
Perfis de liderança diante da IA
O estudo também classifica os CEOs em três perfis, de acordo com a forma como conduzem a agenda de inteligência artificial. Cerca de 15% são considerados “seguidores”, com atuação mais cautelosa e investimentos limitados. A maioria, aproximadamente 70%, se enquadra como “pragmática”, avançando de forma consistente, mas sem mudanças estruturais profundas. Já os “pioneiros”, também em torno de 15%, apostam em transformações mais amplas, com investimentos robustos e foco em IA agêntica.
Essa diferença de postura impacta diretamente os aportes. Entre os pioneiros, 60% dos orçamentos destinados à IA em 2026 devem ser direcionados para agentes inteligentes, ante cerca de 25% nos demais grupos. Não por acaso, eles também são os que mais enxergam potencial transformador nessa tecnologia no curto prazo.
Por setor, a tendência é de maior intensidade nos investimentos em tecnologia, com previsão de 2,1% da receita destinada à IA até 2026. Na sequência aparecem instituições financeiras (2%) e os segmentos de seguros e utilities (1,9%).
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Imagem: Pixabay