A CI&T, empresa global de serviços digitais e transformação de tecnologia e integrante da delegação do Brasil IT+ no Gartner IT Symposium/Xpo™ 2026, apresentou nesta segunda-feira (19), em Orlando, sua experiência na aplicação da inteligência artificial (IA) à transformação dos negócios. Durante a palestra “Cultura acima do código: como ampliar o valor da IA no desenvolvimento” a multinacional brasileira defendeu que o sucesso da tecnologia depende menos da adoção de novas ferramentas e mais da capacidade das organizações de transformar processos, desenvolver competências e integrar a IA às estratégias empresariais. O Brasil IT+ é uma iniciativa de internacionalização estruturada desenvolvida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com a Softex.
Com aproximadamente 8 mil profissionais distribuídos por 25 países, a CI&T compartilhou no Gartner sua experiência na incorporação da IA generativa ao desenvolvimento de software e às operações empresariais. Leandro Angelo, global CTO da empresa, destacou que as principais barreiras à transformação digital não são necessariamente tecnológicas. Elas estão relacionadas à dificuldade das organizações de adaptar sua cultura, seus processos e seus modelos de trabalho. “A disrupção é tecnológica, mas a transformação é humana”, ressaltou.
Da automação à reinvenção dos negócios
Segundo Angelo, incorporar ferramentas de IA aos processos existentes não é suficiente para alcançar ganhos expressivos de produtividade. É necessário redesenhar os fluxos de trabalho para permitir a colaboração entre profissionais e agentes inteligentes. A CI&T estruturou sua própria jornada em três etapas: democratização do acesso à tecnologia, coordenação inteligente dos processos e desenvolvimento de operações nativas em IA. Durante a apresentação, o executivo compartilhou experiências de equipes que alcançaram ganhos de produtividade várias vezes superiores aos modelos tradicionais, além de avanços na redução do tempo necessário para desenvolver e disponibilizar soluções digitais.
Outro destaque foi a necessidade de ampliar os critérios utilizados para avaliar o impacto da inteligência artificial. Além do retorno sobre investimento (ROI), a companhia propõe considerar o retorno sobre a experiência de clientes e colaboradores e a capacidade de preparar os negócios para o futuro. Essa abordagem exige mecanismos de governança capazes de acompanhar a utilização da tecnologia, mensurar resultados e administrar os custos associados ao consumo crescente de recursos computacionais. Como exemplo, Leandro Angelo apresentou o CI&T Flow, plataforma desenvolvida pela empresa para apoiar a adoção e a gestão da IA em suas operações.
A transformação também passa pela preparação das pessoas. Para o executivo, os profissionais precisam compreender seu papel na evolução dos modelos de trabalho, em vez de enxergar a inteligência artificial exclusivamente como uma ameaça. A combinação entre competências humanas, novas metodologias e tecnologias inteligentes tende a modificar a forma como as empresas desenvolvem produtos, atendem clientes e organizam suas operações. Nesse cenário, a capacidade de aprender, adaptar processos e estimular a colaboração torna-se tão relevante quanto o domínio das ferramentas tecnológicas.
Com ações negociadas nos Estados Unidos desde 2021, a CI&T levou ao evento uma experiência de transformação empresarial desenvolvida a partir do Brasil. A apresentação reforçou um dos temas centrais desta edição do Gartner: a necessidade de converter o avanço da inteligência artificial em resultados mensuráveis, com atenção à governança, à qualificação profissional e à competitividade das organizações.
Por Karen Kornilovicz
Agência Softex