Era uma vez um sonho, um desejo genuíno de deixar uma marca e um legado.Esse é o início de quase todas as histórias de empreendedorismo. Não falo aqui do empreendedorismo por necessidade, mas daquele que nasce do propósito. Ainda assim, o sonho, por si só, não sustenta um negócio. Por isso, quero compartilhar com vocês alguns aprendizados desses meus dois anos de jornada empreendedora.
Negócio é perseverança e insistência; nada se constrói da noite para o dia. Para quem já tem o sonho, é essencial se preparar financeiramente. O ciclo até que uma empresa gere lucro e alcance os objetivos financeiros desejados leva tempo, e é preciso estar pronto para atravessar esse período.
Vejo a SV como uma empresa de sucesso e, de certa forma, uma exceção: faturamos desde o primeiro mês. Mas, mesmo assim, o caminho até atingir todo o potencial é longo, e isso só acontece com muito trabalho e dedicação. Até lá, é fundamental avaliar alternativas financeiras (do endividamento consciente à busca por investimento) e manter uma revalidação constante da estratégia comercial.
E aí surge uma das maiores lições: como equilibrar estratégia e sobrevivência. A estratégia é a luz que guia o negócio, mas, nos primeiros anos, é comum precisar ajustar o foco entre seguir a diretriz e preservar a saúde financeira. Nem sempre os clientes ou projetos ideais são os que chegam primeiro, e aprender a lidar com isso é parte do amadurecimento empresarial.
Outro ponto essencial é o “time” e o “relacionamento”. Ter ao lado pessoas que acreditam no propósito e garantem a entrega é a base de tudo. Já a construção de relacionamentos sólidos, com clientes, parceiros e até concorrentes, é o que impulsiona o crescimento. Eu, particularmente, aposto nos dois.
Mas, olhando para o cenário brasileiro, é impossível ignorar os desafios. Segundo o Mapa de Empresas do Governo Federal, só em 2023, cerca de 1,5 milhão de empresas fecharam as portas no Brasil. No mesmo período, foram abertas aproximadamente 3,8 milhões de empresas, ou seja, para cada empresa fechada, cerca de 2,5 foram abertas. Apesar do saldo positivo, o índice de mortalidade ainda é alto.
Quando olhamos para o tempo de vida dos negócios, os dados do SEBRAE mostram que 23% das empresas fecham antes de completar 2 anos, e metade não chega ao quarto ano de vida. A média de sobrevivência de um pequeno negócio no Brasil gira em torno de 5 anos, variando bastante conforme o setor.
E por que tantas empresas fecham? Os motivos são muitos, mas os principais, segundo o SEBRAE e outros estudos recentes, são: falta de planejamento, gestão financeira deficiente, dificuldade para acessar crédito, excesso de burocracia e carga tributária, baixa qualificação do empreendedor, mudanças no mercado e problemas com sócios. Eu vejo, na prática, como cada um desses fatores pode pesar — especialmente quando falta preparo ou apoio.
Por isso, empreender é, acima de tudo, um exercício de resiliência, adaptação e aprendizado contínuo. Estar atento aos números do mercado ajuda a manter os pés no chão, mas é a paixão pelo propósito e a capacidade de aprender com os desafios que realmente fazem a diferença.
Então bora continuar nessa jornada — que venham novos desafios e aprendizados para tornar essa história ainda mais rica.
Fontes:
SEBRAE – Sobrevivência das Empresas no Brasil (2023)(https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/estudospesquisas)
Mapa de Empresas – Governo Federal (2023)](https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/noticias/2023/agosto/mapa-de-empresas-mostra-que-mais-de-3-8-milhoes-de-empresas-foram-abertas-no-brasil-em-2023)
Relatórios do IBGE sobre Demografia das Empresas
Foto: Pixabay

Por Samara Valério, CEO da agência de software SV Digital Connections. Especialista em construção de relacionamento e abertura de mercados, atua há 20 anos no mercado de tecnologia. Formada em direito, com pós-graduação em Comunicação pela Escola Super



































