Economia digital avança, mas escassez de profissionais pressiona o Brasil alerta novo estudo do Observatório Softex

O Observatório Softex, unidade de pesquisa e inteligência estratégica voltada ao apoio de políticas públicas para o setor de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), acaba de publicar o artigo “Educação e Capacitação em TIC para o Futuro do Trabalho”, que integra a série Observando. O estudo analisa a formação de profissionais em áreas estratégicas da economia digital e aponta desafios estruturais que impactam a competitividade do país.

A publicação destaca que a economia digital brasileira se consolidou como eixo estruturante do desenvolvimento econômico, impulsionando mudanças em políticas industriais, educacionais e de capacitação profissional. Dados do Estudo de TIC 2025 do Observatório Softex indicam que o setor de Software e Serviços de TIC registrou saldo positivo de mais de 36 mil vagas em 2024, com crescimento expressivo nos segmentos de serviços em TI e indústria de software.

O levantamento também evidencia a capilaridade da tecnologia na economia: cerca de 799 mil especialistas em TI atuam fora do setor específico de TIC, número superior aos 491 mil profissionais empregados diretamente na indústria. Esse cenário reforça o papel transversal das competências digitais em áreas como agronegócio, saúde, indústria e logística.

Descompasso entre formação e mercado gera gargalos

Apesar da expansão da demanda, o estudo aponta um paradoxo no mercado de trabalho: há escassez de profissionais qualificados mesmo diante do aumento da oferta de cursos. Entre os principais fatores estão a alta evasão, que pode chegar a mais de 40% em cursos de TI; e o desalinhamento entre a formação acadêmica e as exigências práticas do setor produtivo.

O documento também analisa trilhas estratégicas como programação, jogos digitais e semicondutores. No caso dos games, por exemplo, embora o Brasil seja o maior mercado da América Latina, a formação ainda é limitada, com baixa taxa de conclusão e alta desistência. Já no segmento de semicondutores, considerado crítico para a soberania tecnológica, o país enfrenta déficit de profissionais especializados, em um cenário global que pode demandar cerca de 1 milhão de novos trabalhadores até 2030.

Inclusão produtiva e novos modelos de capacitação ganham relevância

O estudo destaca que modelos educacionais mais ágeis e conectados ao mercado, tais como bootcamps, cursos técnicos, laboratórios maker e programas práticos, têm potencial para reduzir lacunas de qualificação e acelerar a inserção profissional, especialmente entre jovens em situação de vulnerabilidade.

A inclusão produtiva é apontada como elemento estratégico para ampliar a base de talentos e reduzir desigualdades, em um contexto em que milhões de brasileiros ainda enfrentam barreiras de acesso à tecnologia e à formação qualificada.

“A formação em TIC precisa avançar para além da ampliação da oferta de cursos. É fundamental estruturar trajetórias que garantam permanência, desenvolvimento de competências práticas e conexão real com o mercado de trabalho, especialmente em áreas estratégicas para a economia digital”, afirma Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.

O conteúdo do Observatório Softex conclui que o principal desafio do Brasil não está apenas na formação de novos profissionais, mas na capacidade de converter interesse e acesso em capital humano qualificado. Nesse sentido, o fortalecimento de políticas públicas e de modelos de capacitação mais eficientes será determinante para ampliar a competitividade do país e sua inserção em setores intensivos em tecnologia e inovação.

A íntegra do artigo “Educação e Capacitação em TIC para o Futuro do Trabalho” pode ser acessa gratuitamente aqui.

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