Estudo MIT: 95% das empresas ainda não veem lucro com IA generativa

Um levantamento conduzido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (Massachusetts Institute of Technology – MIT) por meio do Projeto NANDA coordenado pelo pesquisador Ramesh Raskar, indica que os investimentos corporativos em inteligência artificial generativa (IA generativa) não têm resultado em ganhos financeiros concretos.

Segundo o estudo, 95% das companhias entrevistadas relataram ausência de impacto financeiro direto, apesar de o volume total aplicado em inteligência artificial generativa ter ficado entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões. A pesquisa foi realizada entre os meses de janeiro e junho deste ano e reuniu percepções de mais de 150 executivos, entre presidentes, diretores de tecnologia da informação e gestores de inovação.

Lacunas de sucesso

O levantamento identificou um “vazio de aprendizado” como a principal barreira ao sucesso: a maioria dos sistemas de IA generativa não consegue reter feedback, adaptar-se a contextos específicos ou melhorar continuamente. Entre as empresas avaliadas, 80% já experimentaram ferramentas como ChatGPT e Copilot, mas apenas 20% conseguiram avançar para testes estruturados e somente 5% alcançaram implantação em produção.

O estudo aponta ainda padrões que ajudam a explicar essa lacuna. Em primeiro lugar, somente dois dos oito setores analisados — tecnologia e telecomunicações — apresentaram mudanças significativas. Outro ponto foi o chamado “paradoxo corporativo”, no qual grandes companhias lideram em volume de projetos-piloto, mas ficam atrás em escala efetiva. Além disso, os investimentos se concentram em áreas visíveis, como vendas e marketing (aproximadamente 70% do orçamento), enquanto funções de retaguarda, com maior potencial de retorno, recebem menos atenção. Casos de sucesso foram observados em automação de processos internos, redução de custos com terceirização e otimização de verificações de risco.

Um elemento relevante identificado pelos pesquisadores é a “economia paralela da IA”. Enquanto apenas 40% das empresas adquiriram assinaturas oficiais de modelos de linguagem, mais de 90% dos funcionários relataram usar ferramentas pessoais de IA em suas rotinas de trabalho. Esse uso não autorizado, embora informal, tem mostrado resultados práticos na produtividade individual, indicando um caminho alternativo para compreender onde as aplicações corporativas podem, de fato, agregar valor.

O relatório destaca ainda a ascensão da chamada IA agentiva (agentic AI), sistemas projetados com memória persistente e aprendizado iterativo. Diferentemente das plataformas tradicionais, esses agentes conseguem evoluir a partir das interações, organizar fluxos de trabalho de ponta a ponta e operar de forma autônoma em tarefas complexas. Experimentos iniciais apontam aplicações em atendimento ao cliente, finanças e gestão de vendas. Protocolos como Model Context Protocol (MCP), Agent-to-Agent (A2A) e o próprio NANDA surgem como infraestrutura para essa nova fase, que busca superar o vazio de aprendizado identificado e ampliar a efetividade da inteligência artificial nas empresas.

Impacto financeiro e no mercado de trabalho

O estudo também repercutiu nos mercados financeiros. Em Wall Street, as ações da Nvidia registraram queda de 0,33% após a divulgação dos dados, enquanto a Advanced Micro Devices e a Palantir — empresa especializada em análise de dados — também sofreram pressões negativas. O próprio diretor executivo da OpenAI, Sam Altman, alertou em recente entrevista ao Financial Times para o risco de uma “bolha da inteligência artificial”, mencionando a possibilidade de perdas significativas para investidores.

Outro ponto abordado pelo MIT foi o impacto no mercado de trabalho. Mais de 80% dos executivos ouvidos afirmaram que pretendem reduzir o ritmo de contratações em áreas como tecnologia e mídia nos próximos dois anos. O cenário projetado, entretanto, não aponta para cortes massivos imediatos, mas para uma redistribuição de funções e para a exigência crescente de habilidades em inteligência artificial como requisito básico de empregabilidade.

Por Karen Kornilovicz
Agência Softex, com informações PPC Land e Revista Dinheiro

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