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Gartner: CIOs precisam fechar três lacunas da IA até 2027

Os investimentos corporativos em inteligência artificial (IA) avançam, mas ainda não se convertem em resultados na mesma proporção. Essa foi uma das conclusões apresentadas por Alicia Mulley na palestra 2027 CIO Agenda, realizada nesta segunda-feira (19), durante o Gartner IT Symposium/Xpo™ 2026, em Orlando.

Com base em uma pesquisa com mais de 2 mil diretores de tecnologia da informação (CIOs) e executivos de 73 países, o Gartner identificou três lacunas: preparação da força de trabalho, gestão dos custos e geração de valor. Apenas 11% dos entrevistados foram classificados como vanguards — grupo que combina desempenho empresarial elevado com uma avaliação positiva dos CEOs sobre o valor produzido pela IA.

A primeira lacuna está na preparação profissional. Somente 20% dos CIOs consideram suas equipes prontas para trabalhar com IA, enquanto até 75% das atividades atuais poderão mudar nos próximos três anos. O Gartner recomenda redesenhar funções para integrar pessoas e agentes, abordagem que aumenta em 2,4 vezes a probabilidade de uma empresa alcançar a vanguarda.

As outras lacunas envolvem custos e geração de valor. Embora a IA possa reduzir pela metade o custo de desenvolvimento, suas despesas operacionais podem dobrar ou triplicar. Ao mesmo tempo, a média de casos de uso saltou de dez para 42 em um ano, mas apenas um em cada cinco projetos alcança sucesso. O desafio aumenta com a IA agêntica: 71% dos CIOs planejam adotá-la até 2027, enquanto somente 21% possuem mecanismos de governança.

A Repsol foi apresentada como referência na seleção de projetos. A companhia utiliza oito critérios para avaliar oportunidades e parceiros, considerando potencial de retorno, possibilidade de adaptação dos processos, maturidade das áreas envolvidas, disponibilidade de recursos e comprometimento com os resultados. O modelo também avalia se as lideranças estão dispostas a assumir riscos e reconhecer iniciativas que não atingiram os objetivos. A recomendação é definir indicadores, responsabilidades e limites de continuidade antes da implementação, concentrando investimentos nas aplicações com maior potencial de retorno.

Para as empresas brasileiras, os resultados indicam uma mudança na agenda dos CIOs. A função passa a exigir capacidade para reorganizar equipes, negociar modelos de financiamento, estabelecer mecanismos de governança e comprovar o retorno dos investimentos. O diferencial competitivo dependerá menos da quantidade de ferramentas adotadas e mais da capacidade de transformar IA em produtividade, eficiência e resultados sustentáveis.

O Brasil marca presença no Gartner IT Symposium/Xpo™ 2026 pelo 21º ano consecutivo com uma delegação de 20 empresas, em mais uma iniciativa do Brasil IT+, projeto setorial desenvolvido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com a Softex.

Confira os cinco principais insights

  1. Apenas 11% dos CIOs estão na vanguarda: o diferencial está na capacidade de gerar resultados, e não no tamanho da empresa ou do orçamento.
  2. As funções precisarão ser redesenhadas: somente 20% dos CIOs consideram suas equipes preparadas para trabalhar com IA.
  3. A IA exige novos modelos de custos: tokens, inferências, confiabilidade e supervisão humana podem elevar as despesas operacionais.
  4. Mais projetos não garantem mais valor: a média de casos de uso quadruplicou, mas somente cerca de 20% alcançam sucesso.
  5. A governança ainda está atrasada: 71% dos CIOs pretendem adotar IA agêntica, enquanto apenas 21% possuem estruturas para controlá-la.

Por Karen Kornilovicz
Agência Softex