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IoT: Do varejo ao agronegócio, Internet das Coisas tem potencial para expandir economia brasileira

As aplicações para a Internet das Coisas (IoT) crescem a cada dia. Soluções que conectam o mundo físico e o digital têm feito parte do dia a dia das empresas, acelerando processos e aumentando a eficiência de diferentes atividades. O potencial de integração e conexão da tecnologia oferece oportunidades para diversos setores, que vão desde o varejo até atividades agrícolas. Um exemplo são as bolas da Copa do Mundo do Qatar que têm um sensor que transmite informações em tempo real. Chamadas de bola smart, elas não são usadas apenas no mundial. A tecnologia IoT já está presente em outros campeonatos e a tendência é ficar cada vez mais acessível.

Segundo a consultoria Meticulous Research, o mercado global de Internet das Coisas (IoT) deve atingir US$ 276,79 bilhões até 2029. No Brasil, pelo menos 70 mil empresas brasileiras utilizaram um dispositivo com Internet das Coisas (IoT) em 2021, de acordo com a Pesquisa TIC Empresas. Para o diretor da vertical Manufatura 4.0 da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia), Túlio Duarte, hoje no país o setor onde o IoT está mais presente é a indústria, porém, ele observa que o agronegócio e a saúde também estão aderindo cada vez mais ao uso da tecnologia. 

“Há diferentes aplicações hoje que já ajudam no monitoramento de equipamentos em fábricas. No agro, o acompanhamento do maquinário em campo também é uma possibilidade crescente, principalmente quando olhamos para o tamanho da área de plantio no Brasil. Enquanto na saúde, vemos o exemplo de checagem da temperatura de geladeiras onde são armazenadas bolsas de sangue. Essas são só algumas das aplicações que já existem do IoT. Há muitas outras possibilidades como checagem de rompimento de adutoras em cidades e otimização de rotas e semáforos, só para citar como governos e cidades inteligentes podem fazer uso da tecnologia”, completa Túlio.

Para o especialista, um dos desafios ainda é a falta de conhecimento no Brasil sobre o potencial do IoT. “Ampliar o conhecimento sobre como a tecnologia pode ajudar ainda é uma barreira. A própria indústria, que é onde atuo principalmente, tem dificuldade de compreender o impacto do IoT em produtividade e lucratividade. Os preços e a disponibilidade são outros pontos a serem superados. A fabricação no Brasil de IoT ainda é pouco competitiva e precisa ter mais incentivos para que ela ocorra, ou seja, melhorar a questão dos impostos e da logística a respeito da matéria-prima. Em todo caso, temos bons exemplos de empresas brasileiras que atuam no desenvolvimento de soluções em IoT e isso deve crescer nos próximos anos”, finaliza. 

Protagonismo na agricultura

Tratores que percorrem sozinhos os campos, otimizando a área de cobertura. Colheitadeiras com rotas programadas por alguém que está no escritório. Plantadeiras automatizadas. A Internet das Coisas tem ganhado cada vez mais protagonismo no agronegócio: segundo a consultoria Meticulous Research, o segmento deve atingir US$ 22,6 bilhões até 2028.

“A agricultura é um setor que tem enorme potencial de ganhos com o uso de inovações digitais e, por essa razão, vem investindo muito na adoção deste tipo de tecnologia para aumento de eficiência e lucratividade”, afirma Bernardo de Castro, presidente da Divisão de Agricultura da Hexagon. Dentre as vantagens da tecnologia no setor estão: melhor planejamento do plantio; controle de fertilização, pulverização e de isca formicida; monitoramento de máquinas; planejamento da colheita e otimização do transporte; e rastreamento da matéria-prima.

Outro benefício do uso de IoT agrícola comprovado na prática por clientes da Hexagon é a redução de agrotóxicos. “São sistemas que garantem a precisão da aplicação de pesticidas, evitando desperdícios e falhas na pulverização. Esse estudo que realizamos mostrou que tecnologias de desligamento de seções podem reduzir em 20% o uso de agroquímicos, enquanto o controlador de taxa variável pode diminuir em até 25%”, explica Castro.

Soluções IoT aumentam assertividade do estoque no varejo

Já na cadeia de suprimentos, principalmente em empresas do varejo de moda, soluções que envolvem IoT são cada vez mais comuns. Segundo Marco Beczkowski, diretor de vendas e CS da Manhattan Associates, líder mundial em soluções para cadeia de suprimentos, a tecnologia já faz parte das operações das gigantes do varejo brasileiro. Quase todas as grandes empresas já implementaram etiquetas inteligentes para facilitar o recebimento no centro de distribuição, conferência de expedição, recebimento nas lojas e inclusive separação de pedidos omnichannel (compra online, envio da loja). 

“Ainda dentro da loja, que historicamente tem assertividade de estoque na casa de apenas 60 a 70%, conseguimos aumentar em muito a assertividade para acima de 95%. Isso facilita a utilização das lojas como centros de distribuição, pensando na omnicanalidade. Por outro lado, nos centros de distribuição vemos a aceleração da utilização de robótica e AGVs (automated guided vehicles) que dependem muito de IoT para funcionarem. Um exemplo são os robôs selecionadores de itens individuais como os que já vemos em diversas empresas brasileiras”, exemplifica Marco.

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