O mercado de tecnologia está sempre a mil. A cada dia, novas linguagens surgem, inteligências artificiais reescrevem as regras e a demanda por inovação só cresce. Nesse contexto cheio de oportunidades, às vezes é difícil pontuarmos quais fatores são cruciais para o desenvolvimento de uma carreira promissora e protagonista para nós, mulheres da tecnologia.
Sabemos que o cenário ainda apresenta desafios. Muitas vezes, somos as únicas mulheres na sala de reunião ou no time de desenvolvimento. Porém, olhar para o mercado de tecnologia hoje é enxergar um horizonte de oportunidades que nunca foi tão vasto. A questão não é mais “se” há espaço para nós, mas “como” vamos ocupá-lo com estratégia e inteligência.
Se desejamos nos destacar e liderar nesse universo, aqui vão algumas dicas importantes:
1. A Excelência Técnica é a Base (Mas não é o Teto)
O desenvolvimento contínuo é o oxigênio da tecnologia. Manter-nos atualizadas — seja em Python, Segurança de Dados ou nas novas fronteiras da IA — é o que garante a nossa entrada, especialmente para aquelas de perfil técnico. Participemos de hackathons, coloquemos a mão na massa e construamos um portfólio que fale por nós. A competência técnica é inegociável: é a nossa âncora de segurança em qualquer discussão. Mas lembremos: ela é o começo, não o fim.
2. Ninguém Sobe Sozinha: o Poder da Rede
Há um provérbio que diz: “Se quer ir rápido, vá sozinha. Se quer ir longe, vá acompanhada”. Na tecnologia, isso é lei. Construir uma rede de contatos sólida não é sobre trocar cartões de visita, é sobre criar alianças. Busquemos comunidades como Women Who Code, PyLadies, Women in Tech, Elas na TI ou Reprograma. Encontremos mentoras que já trilharam o caminho que queremos percorrer e, tão importante quanto, estejamos dispostas a ser mentoras para quem está chegando. Quando uma mulher ajuda a outra a subir degraus, todo o ecossistema se fortalece.
3. Ousemos Antes de Estar 100% Prontas
Existe uma estatística famosa segundo a qual homens se candidatam a vagas quando preenchem 60% dos requisitos, enquanto as mulheres esperam preencher 100%. Precisamos quebrar esse ciclo de perfeccionismo. Não podemos nos subestimar. A síndrome da impostora pode tentar nos dizer que não pertencemos a esse lugar, e é fundamental termos colegas que nos ajudem a lembrar dos nossos resultados e conquistas, já que muitas vezes os esquecemos. Vamos com medo mesmo, mas vamos! Vamos nos candidatar àquela vaga desafiadora, levantar a mão para liderar aquele projeto complexo. O crescimento acontece no desconforto, não na certeza absoluta.
4. Não Sejamos o Segredo Mais Bem Guardado da Empresa
Fazer um bom trabalho é essencial, mas não basta. Em um mundo hiperconectado, visibilidade é estratégia; é aquela máxima: não basta ser, tem que parecer. Não tenhamos medo de expor nossas ideias, de escrever artigos, de palestrar ou simplesmente de documentar nossas vitórias no LinkedIn. Vamos desenvolver nossa comunicação e nossas soft skills de liderança. Quem não é vista, muitas vezes, não é lembrada para a promoção.
5. Escolhamos Nossas Batalhas e Nosso Ambiente
Nem toda empresa merece o nosso talento. Ao criarmos nosso plano de carreira, é importante pesquisar culturas que valorizem a diversidade não apenas no discurso de marketing, mas também na prática do dia a dia. E não podemos esquecer que nosso maior ativo é a nossa saúde mental e emocional. O mercado é exigente, mas o equilíbrio é o que garante a longevidade da nossa carreira.
O Futuro tem a nossa cara
De Ada Lovelace, que escreveu o primeiro algoritmo, a líderes contemporâneas como Sheryl Sandberg, a história da tecnologia sempre teve mãos femininas em sua construção. Precisamos nos inspirar nesses exemplos e construir a nossa história, que, com certeza, também servirá de inspiração para tantas outras.

Por Samara Valério, CEO da agência de software SV Digital Connections. Especialista em construção de relacionamento e abertura de mercados, atua há 20 anos no mercado de tecnologia. Formada em direito, com pós-graduação em Comunicação pela Escola Superior de Propaganda & Marketing (ESPM) e MBA em Transformação Digital pela FIAP. Mentora do “Elas Exportam” da ApexBrasil.
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