Plataforma AI2 viabilizará modelo “Semiconductor as a Service”, inédito no Brasil e no mundo

Em solenidade realizada na tarde desta terça-feira (28), em Campinas, foi anunciado o lançamento do projeto “Ambiente de Integração e Interoperabilidade”, ou Plataforma AI2, iniciativa doMinistério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que será executada pelo Centro de Pesquisas Avançadas von Braun e pelo Núcleo Softex Campinas (NSC) sob a coordenação da Softex.

Participaram do evento Hamilton José Mendes da Silva, Diretor de Incentivos às Tecnologias Digitais do MCTI; Adriana Flosi, secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas; Dario Sassi Thober, Presidente do Centro de Pesquisas Avançadas von Braun; Diônes Lima, vice-presidente executivo da Softex; e Edvar Pera Junior, diretor-executivo do Núcleo Softex Campinas, entre outros convidados.

O projeto tem por objetivo o desenvolvimento e operação – em formato piloto – de um ambiente de integração e interoperabilidade capaz de integrar e padronizar dados de dispositivos semicondutores para a coleta de informações logísticas, de autenticação e de rastreabilidade em todas as etapas da cadeia logística, viabilizando o desenvolvimento de aplicações para múltiplos setores da economia e incentivando a criação de novas soluções e empresas, em especial startups.

“Esta é uma iniciativa que reforça a preocupação do Ministério em dotar a indústria brasileira de mecanismos e plataformas de suporte ao desenvolvimento que proporcionem ganhos de produtividade, e por consequência se traduzam em ganhos na eficiência em processos e metodologias de desenvolvimento que assegurem ao país a eficiência tão necessária em um cenário global caracterizado por uma extrema competitividade”, comentou Hamilton José Mendes da Silva, Diretor de Incentivos às Tecnologias Digitais.

Os dados integrados e padronizados serão disponibilizados para o mercado através da Plataforma AI2 no modelo “Semiconductor as a Service”. “Esse termo, cunhado pelo Instituto von Braun, define um modelo inovador que possibilita a comercialização de chips semicondutores na forma de serviço e busca superar desafios significativos nessa indústria, permitindo a oferta – como serviço – de soluções, designs e processos fabris associados a semicondutores, em um ambiente de marketplace de dados rastreados por tecnologia blockchain”, informou  Dario Sassi Thober, Presidente do Centro de Pesquisas Avançadas von Braun.

A viabilidade do conceito “Semiconductor as a Service” será demonstrada por meio de aplicações comerciais que serão executadas na Plataforma AI2, atendendo diversos setores da economia, fomentando a concepção e o desenvolvimento de novos modelos de negócio e de comercialização de semicondutores. “Isso viabilizará o desenvolvimento de aplicações para setores que demandam a integração das informações ao longo de todo o ciclo de vida de um produto como, por exemplo, o rastreamento e a autenticação de itens diversos por toda a cadeia logística, desde a produção até a entrega ao cliente final”, detalhou Edvar Pera Junior, diretor-executivo do Núcleo Softex Campinas.

A iniciativa também tornará possível a integração de diferentes redes de informação de produção, distribuição e comercialização de produtos e serviços de setores até então isolados da economia, que passarão a utilizar infraestrutura de trânsito de dados entre si através da Plataforma AI2. As atividades desenvolvidas durante o projeto possibilitarão a criação de novas empresas, em especial startups, e de soluções com características inovadoras para o mercado de semicondutores.

Entre os diversos diferenciais presentes na Plataforma AI2 estão:

  • O comissionamento de novos semicondutores (criados para aplicações específicas) e o uso de dados de semicondutores já existentes (assim como sua rede de informação) desde que atendidos os critérios mínimos de segurança exigidos pela plataforma, bem como o Modelo de Negócio de operação, que será desenvolvido durante a execução do projeto.
  • Customização para aceitar dados de diferentes dispositivos e redes de informações heterogêneas (formadas por gateways e dispositivos edge)
  • Oferta de mecanismos de integração segura entre sistemas, sejam privados ou governamentais.
  • Garantia de não repúdio de informações através de mecanismos de segurança, além de assegurar a integridade das informações através do uso de smart contracts ou gravação das informações em redes blockchain.

Além dos chips semicondutores que podem ser embarcados, outros dispositivos semicondutores que já façam parte de produtos ou redes de serviços poderão também ser conectados a um ambiente que integra e compatibiliza informações de forma padronizada, através de uma linguagem que abstrai e torna compatíveis as informações para um amplo espectro de aplicações.

Para Diônes Lima, vice-presidente executivo da Softex, “é da maior importância o nosso trabalho de coordenação em uma iniciativa do porte da Plataforma AI2, que está alinhada coma estratégia do país de ganhar autonomia em áreas vitais da economia, como é o caso do segmento de semicondutores”. Ele lembra ainda que o modelo “Semicondutores as a Service” oferece benefícios relevantes para setores e organizações que demandam logística integrada ao longo de todo o ciclo de vida de produtos.

No caso do Brasil, em particular, a viabilização do modelo “Semiconductor as a Service”, através da plataforma AI2 permitirá que designs, soluções e até processos fabris associados a semicondutores possam ser oferecidos ao mercado de forma diferenciada, passando a ser comercializados na forma de serviços em um ambiente de marketplace de dados rastreados por tecnologia do tipo blockchain, podendo, dessa forma, ser oferecidos pelo valor das informações (dados agregados de IA) que são capazes de gerar, remunerando toda a cadeia, desde desenhistas e fabricantes de semicondutores, passando pelos proprietários de infraestrutura de captura de dados e chegando até desenvolvedores de aplicações.

Estratégico para a economia nacional e para o desenvolvimento tecnológico do país, o setor de semicondutores, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI), fatura mais de R$ 3 bilhões por ano, gera mais de 2.500 empregos qualificados e investe mais de US$ 100 milhões em atividades de PD&I.

Por Karen Kornilovicz
Agência Softex

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