Após nove dias de atividades em Shangai, o Soft Landing China encerrou nesta quarta-feira, 30 de setembro, sua programação. Realizada pela Softex Global em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a iniciativa reuniu empresas brasileiras em uma agenda de imersão no ecossistema chinês de tecnologia e inovação, combinando participação no Tomorrow.City Shanghai 2026, encontros de negócios, visitas técnicas e aproximação com empresas, instituições e potenciais parceiros locais.
No último dia da missão, a delegação visitou a Start2 Group, organização que desenvolve programas de inovação e internacionalização conectando startups, empresas, investidores e ecossistemas de diferentes países. O encontro permitiu aos participantes conhecer estratégias e possibilidades de conexão com o mercado asiático e discutir caminhos para ampliar a presença internacional das empresas brasileiras.
A agenda foi concluída com uma reunião com Luis Felipe Borja, da Duan & Duan, escritório de advocacia sediado em Shangai que atua em questões jurídicas, regulatórias e transações internacionais. Durante o encontro, Borja apresentou um panorama do ambiente legal e regulatório chinês e chamou a atenção para a necessidade de compreender as particularidades de cada região. Segundo ele, cidades e províncias podem adotar diferentes estratégias e incentivos para atrair empresas de tecnologia, enquanto hubs consolidados, como Shangai, Pequim e Shenzhen, convivem com a expansão de polos tecnológicos para outras regiões do país.
Outro ponto destacado foi a proteção da propriedade intelectual. Borja alertou para a importância de empresas interessadas em atuar no país verificarem e protegerem suas marcas antes de ingressar no mercado. Na China, explicou, o registro local é determinante para assegurar os direitos sobre a marca, o que torna esse cuidado uma etapa importante da estratégia de entrada. A discussão também abordou patentes, segredos comerciais e modelos de cooperação e investimento em tecnologias desenvolvidas por empresas estrangeiras.
Para Borja, entrar no mercado chinês exige planejamento além da oportunidade comercial. “Questões relacionadas à estrutura societária, contratação de profissionais, dados, cibersegurança, inteligência artificial e escolha de parceiros precisam ser avaliadas de acordo com a legislação e com as características da região em que a companhia pretende atuar”, recomendou. O especialista ressaltou ainda que áreas como inteligência artificial e blockchain estão sujeitas a regras em constante evolução, reforçando a importância do acompanhamento regulatório para empresas de tecnologia.
A imersão teve como proposta oferecer às empresas uma visão mais ampla sobre as possibilidades de atuação na China, permitindo avaliar não apenas o potencial comercial do mercado, mas também aspectos culturais, jurídicos e regulatórios envolvidos em um processo de internacionalização. As conexões estabelecidas ao longo dos nove dias também abrem caminho para a continuidade das conversas com potenciais parceiros e para a construção de estratégias de entrada no mercado asiático.
Participaram da delegação brasileira Orange Testing, plataforma que utiliza inteligência artificial para automatizar testes de aplicações web, móveis e APIs sem exigir programação; a CWS Platform, voltada ao comércio eletrônico entre empresas; a Devint, especializada na análise de equipes de tecnologia; a Acquattec, dedicada ao monitoramento participativo e à gestão ambiental; a RCB Tech, desenvolvedora da plataforma de turismo Lina; e a SoftExpert, fornecedora de software de gestão empresarial.
Por Karen Kornilovicz
Agência Softex