Novo artigo da série Observando discute como o Brasil pode transformar proteção digital em política de Estado e vantagem competitiva
O Observatório Softex, unidade de pesquisa e inteligência estratégica voltada ao apoio de políticas públicas para o setor de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), acaba de disponibilizar o artigo “Segurança Cibernética como Política de Estado: Como o Brasil Pode Transformar Proteção em Vantagem Estratégica”, novo conteúdo da série Observando. O material analisa o avanço da cibersegurança na agenda pública brasileira e discute caminhos para transformar proteção digital em instrumento de soberania, resiliência institucional e competitividade econômica.
O estudo examina o novo contexto regulatório da segurança cibernética no país, marcado pela Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber), instituída pelo Decreto nº 12.573/2025. A análise mostra como a cibersegurança deixou de ser apenas uma questão técnica para ocupar posição estratégica nos debates sobre capacidade estatal, proteção de infraestruturas críticas, confiança digital e desenvolvimento econômico.
A aceleração da digitalização ampliou significativamente a exposição do Brasil a ameaças cibernéticas. Hoje, mais de 161 milhões de brasileiros utilizam a internet e o país soma cerca de 480 milhões de computadores e smartphones em operação. Nesse cenário, sistemas digitais sustentam serviços públicos, transações financeiras e atividades essenciais da economia.
O ambiente global de ameaças também se tornou mais complexo, impulsionado pela expansão da inteligência artificial, pela fragmentação geopolítica e pela crescente dependência de cadeias digitais. Dados analisados pelo Observatório Softex mostram que 94% dos especialistas ouvidos pelo Fórum Econômico Mundial apontam a IA como principal vetor de transformação da cibersegurança nos próximos anos.
Em 2025, a América Latina registrou o maior crescimento global na taxa de ataques cibernéticos, com média superior a 3 mil ataques semanais por organização. O Brasil aparece tanto como alvo prioritário de crimes digitais quanto como origem de ataques de negação de serviço (DDoS), impulsionados pelo uso de dispositivos vulneráveis em redes automatizadas. Casos envolvendo sistemas públicos, como ConecteSUS, Siafi e vazamentos ligados ao INSS, demonstram como incidentes digitais podem comprometer serviços essenciais e a confiança institucional.
“A cibersegurança deixou de ser uma agenda exclusivamente técnica para se tornar uma dimensão estratégica da soberania digital e da capacidade do Estado. O Brasil avançou na formulação de marcos importantes, mas o próximo passo será transformar diretrizes em capacidade operacional, coordenação federativa e resiliência sistêmica”, avalia Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.
Políticas públicas e soberania digital
Além do diagnóstico sobre o cenário nacional e internacional, o artigo apresenta recomendações de políticas públicas voltadas ao aumento da maturidade cibernética do país. Entre as medidas defendidas estão a implementação integral do Plano Nacional de Cibersegurança (P-Ciber 2026–2027), o fortalecimento do CISC gov.br como centro federal de coordenação de incidentes e a criação de uma linha nacional de maturidade cibernética para órgãos públicos e setores críticos.
O material também propõe a criação de uma autoridade nacional de cibersegurança com mandato transversal para coordenar ações entre União, estados, reguladores e setores estratégicos. Outras recomendações incluem padrões mínimos de resiliência para infraestruturas críticas, exercícios nacionais de crise cibernética, compartilhamento de inteligência entre governo e setor privado e ampliação da formação de profissionais especializados.
No longo prazo, o conteúdo defende que o Brasil avance em uma política de soberania tecnológica aplicada à cibersegurança, reduzindo dependências externas em software, hardware, nuvem e tecnologias críticas. O artigo destaca ainda a necessidade de preparar o país para desafios emergentes, como a criptografia pós-quântica e os impactos da inteligência artificial sobre sistemas críticos e proteção de dados.
Segundo os pesquisadores do Observatório Softex, consolidar a cibersegurança como política de Estado será decisivo para garantir confiança digital, continuidade de serviços essenciais, proteção econômica e maior autonomia tecnológica diante do avanço das disputas geopolíticas e da crescente centralidade das infraestruturas digitais.
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Por Karen Kornilovicz
Agência Softex