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TICs 2026: terceiro caderno do estudo do Observatório Softex propõe ações para reduzir dependência tecnológica

Transformar a adoção de tecnologias em capacidade de desenvolver soluções próprias é um dos principais desafios do Brasil para ampliar a inovação, as exportações e a autonomia digital. Essa é uma das conclusões do Caderno 3 – Tendências do Setor de TIC: IA, Semicondutores e ESG como agenda estratégica para o Brasil, terceiro e último volume do estudo TICs 2026, do Observatório Softex.

O levantamento mostra que a proporção de empresas brasileiras que utilizam inteligência artificial passou de 13% em 2024 para 17,5% em 2025. Entre as grandes empresas, chegou a 49,6%. Ainda assim, 79,8% das empresas que usam IA recorrem a softwares e sistemas disponíveis no mercado, indicando predominância de soluções prontas disponíveis no mercado. 

Nos semicondutores, o estudo aponta que o Brasil não reúne, no curto prazo, condições para disputar a fabricação de chips de ponta. A recomendação é uma inserção seletiva em áreas compatíveis com as capacidades nacionais, como design, prototipagem, sensores e encapsulamento. A Lei Brasil Semicon (Lei nº 14.968/2024) é considerada um instrumento de longo prazo para apoiar essa estratégia.

O cenário internacional também impõe desafios. Em 2024, as exportações brasileiras de serviços de TIC somaram US$ 6,17 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 13,33 bilhões, gerando déficit de US$ 7,16 bilhões. Mantida a estrutura atual, o déficit poderá superar US$ 15,7 bilhões até 2030.

O estudo destaca ainda a relação entre práticas ESG e internacionalização. Entre as empresas acompanhadas pelo Brasil IT+, projeto da Softex em parceria com a ApexBrasil, 72,2% das que adotam ao menos uma prática ESG exportaram, contra 41,7% entre as que não adotam ou desconhecem essas práticas. No ciclo 2024-2026, o programa apoiou 353 empresas, das quais 108 exportaram, com volume de US$ 1,18 bilhão.

Agenda para políticas públicas

A publicação organiza as recomendações a partir da atuação complementar de quatro atores: governo federal, governos estaduais, setor privado e ecossistema de inovação, com foco em reduzir dependências, estimular tecnologia própria, formar talentos avançados e ampliar a escala e a internacionalização das empresas brasileiras.

Para o governo federal, o Observatório Softex propõe uma agenda integrada para IA, dados, nuvem, cibersegurança, software e semicondutores; aprimoramentos regulatórios e tributários; uso de compras públicas e encomendas tecnológicas como instrumentos de desenvolvimento; ampliação de ambientes de teste e infraestrutura compartilhada; e metas de pesquisa, desenvolvimento e formação de talentos para 2025-2030.

Aos governos estaduais, o estudo recomenda políticas alinhadas às vocações produtivas regionais, maior utilização de fundos de inovação e apoio a ecossistemas emergentes. Para o setor privado, as propostas incluem investimentos em produtividade, dados, segurança, ESG e qualificação, além da integração de pequenas e médias empresas às cadeias de fornecedores, inovação aberta e expansão internacional.

O documento também atribui ao ecossistema de inovação um papel na aproximação entre pesquisa e mercado, na preparação de startups para ganhar escala, na conexão entre talentos e demandas produtivas e na internacionalização de empresas brasileiras de tecnologia.

“O ponto central é transformar a expansão do mercado digital em capacidade tecnológica. O Brasil já tem escala, infraestrutura, empresas e conhecimento. O próximo passo é articular esses ativos para gerar mais tecnologia própria, talentos avançados, inovação, exportações e participação qualificada nas cadeias globais”, destaca Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.

O Caderno 3 complementa os dois volumes anteriores do TICs 2026 e propõe uma agenda de articulação entre governos, empresas, instituições de ciência e tecnologia, universidades e ecossistemas regionais para transformar o crescimento do setor em valor econômico e tecnológico.

A íntegra do terceiro caderno está disponível para download gratuito aqui.

Por Karen Kornilovicz
Agência Softex