Adotar uma ferramenta de inteligência artificial pode levar poucos minutos. Transformá-la em uma solução corporativa segura, integrada e capaz de gerar valor é um processo bem mais complexo. A diferença entre esses dois estágios orientou a apresentação de Fabio Caversan, diretor de Tecnologia (CTO) do Grupo Stefanini, nesta quarta-feira (21) no Gartner IT Symposium/Xpo™ 2026, em Orlando. A empresa participa do evento como integrante do Brasil IT+, projeto setorial de internacionalização da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com a Softex.
Segundo Caversan, a adoção individual de ferramentas de IA pode ocorrer rapidamente, mas sua implementação em escala empresarial ainda esbarra na organização do trabalho, na integração entre sistemas e na cultura corporativa. O executivo apontou cinco fatores para orientar esse processo: geração de valor, redesenho das atividades, definição de responsabilidades, arquitetura tecnológica e preparação das equipes. Como exemplo, citou uma indústria de tintas que aumentou a produção em 3 mil galões por dia após reorganizar seu planejamento com o apoio de um agente de IA supervisionado por profissionais.
Um dos caminhos apresentados foi o desenvolvimento cidadão (citizen development), modelo que permite a profissionais de vendas, marketing, recursos humanos e outras áreas criar aplicações sem conhecimento avançado de programação. Com isso, as equipes de tecnologia da informação (TI) podem concentrar esforços em arquitetura, segurança e governança. A abordagem busca reduzir filas de desenvolvimento e gastos com licenças externas, mas depende de controles sobre dados, integrações, permissões e testes.
O Grupo Stefanini também apresentou o AI Transformation Hub e a plataforma Side App, que utiliza agentes especializados no desenvolvimento de aplicações. Liz coordena os projetos e reúne os requisitos; Dora cria os protótipos; e Bob constrói as soluções e realiza integrações com bancos de dados e outros sistemas. As aplicações passam por processos automatizados de integração, testes e implantação em ambientes corporativos protegidos. Segundo a apresentação, equipes de dois ou três profissionais sem formação técnica podem usar a plataforma para desenvolver sistemas internos, como ferramentas de compras.
Para Caversan, a governança deve viabilizar a inovação, com limites claros para a atuação dos agentes e proteção dos sistemas corporativos críticos. A proposta é combinar autonomia para as áreas de negócio com supervisão técnica e regras de segurança. A apresentação integrou a agenda brasileira no evento, do qual o Brasil IT+ participa pelo 21º ano consecutivo.
Por Karen Kornilovicz
Agência Softex