Brasil encerra participação histórica como país parceiro na Hannover Messe 2026

Após cinco dias intensos na Hannover Messe 2026, o Brasil encerrou sua participação como país parceiro do evento, realizado de 20 a 24 de abril, na Alemanha. “Foi o fechamento de um ciclo construído ao longo de dois anos, com forte engajamento das empresas e resultados concretos em geração de negócios”, resume Maria Paula Velloso, diretora de negócios da ApexBrasil.

Segundo ela, a presença de cerca de 140 empresas brasileiras no evento demonstrou, na prática, a capacidade do país de atuar em pé de igualdade com a indústria europeia. A percepção é compartilhada por Gabriela Silva, líder da célula de internacionalização da Softex. “Mais do que uma vitrine, foi uma estratégia coordenada de inserção global, que reforça a imagem do Brasil como um ator relevante no universo da tecnologia e da inovação”, complementa.

Nesta edição, a Hannover Messe reuniu cerca de 4 mil expositores de mais de 150 países e recebeu aproximadamente 123 mil visitantes. A participação de startups, empresas e instituições de ciência e tecnologia foi realizada com o apoio do Brasil IT+, iniciativa da ApexBrasil em parceria com a Softex. O programa, hoje o maior do país nesse segmento, já apoiou mais de mil empresas, gerando mais de US$ 1,1 bilhão em exportações nos últimos dois anos.

A escolha do Brasil como país parceiro ocorre em um momento de mudança. A retomada da política industrial, impulsionada pela Nova Indústria Brasil, e a entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia ampliam as possibilidades de integração produtiva e tecnológica. Nesse cenário, a Alemanha, uma das maiores economias do mundo e tradicional parceiro comercial brasileiro, ganha ainda mais relevância como porta de entrada para o mercado europeu. A aproximação vista em Hannover sinaliza não apenas interesse mútuo, mas uma convergência crescente em temas como digitalização industrial, transição energética e manufatura avançada.

Para Bruno Eisinger, cofundador da Infinite Foundry, esta edição marcou um salto qualitativo. “O mercado europeu já reconhece a tecnologia brasileira. O que vimos agora foi uma discussão mais madura sobre temas como gêmeos digitais, abrindo espaço para novos modelos de negócio”, afirma. A presença contínua no evento, segundo ele, tem permitido às empresas brasileiras ajustar sua abordagem e compreender melhor as dinâmicas locais, um fator decisivo para avançar em contratos e parcerias.

A mesma leitura aparece no setor de plataformas digitais. Fernando Cymrot, fundador da CWS Platform, destaca a importância da feira como ponto de aceleração da estratégia internacional. Com mais de uma década de atuação e presença em diferentes segmentos industriais, a empresa vê na Europa um mercado natural para expansão. “Estar aqui com uma comitiva estruturada amplia as conexões e encurta o caminho para novos negócios”, analisa.

ICTs brasileiras ampliam presença internacional

A participação das instituições de ciência e tecnologia (ICTs) brasileiras reforçou um movimento importante: a internacionalização como estratégia permanente, e não esporádica. Com operações consolidadas em Portugal e acordos em expansão na Europa, o Vertex chegou à feira com uma agenda robusta. A instituição já mantém contratos com empresas na Suíça e na Itália e vê a presença em Hannover como uma forma de ampliar visibilidade e credibilidade. Para seu presidente, Jean Paul T. Neumann, o reconhecimento internacional da tecnologia desenvolvida no Brasil é um ativo que precisa ser explorado de forma consistente.

Caminho semelhante foi trilhado pelo CESAR. A instituição, que historicamente mantém conexões globais, vem estruturando uma atuação mais próxima junto a parceiros europeus. A estratégia passa por presença local e desenvolvimento conjunto de soluções, em um movimento contínuo de troca. “Internacionalizar é também trazer conhecimento de volta e fortalecer o ecossistema brasileiro”, afirma Juliana Queiroga, responsável pela operação europeia.

O saldo positivo da participação brasileira vai além dos números, com a geração de um expressivo ganho reputacional em um momento em que o país renova sua agenda industrial e busca abrir novas frentes de cooperação internacional. A organização do pavilhão brasileiro e a diversidade das soluções apresentadas, viabilizadas pela articulação entre governo, setor produtivo e academia, contribuíram para intensificar a presença do Brasil no radar global de oportunidades.

Por Karen Kornilovicz
Agência Softex

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