Projeto que incentiva o investidor-anjo a aplicar recursos em novos empreendedores para foi debatido em seminário da Softex no Rio Info 2015

O Projeto de Lei que amplia os limites para o enquadramento no Supersimples abre uma nova janela para startups brasileiras. Um dos dispositivos incluídos no PLC, aprovado na Câmara e que tramita no Senado, institucionaliza a figura de investidor-anjo, que poderá colocar recursos em novos empreendimentos sem ter que se tornar sócio.

O dispositivo permite tanto a pessoas físicas quanto a empresas atuarem como investidor sem que haja vínculos administrativos com a nova empresa. O investidor-anjo não terá direito a voto ou gerência. Por outro lado, não responderá por qualquer tipo de dívida – tributária ou financeira – caso a nova microempresa fracasse.

“Grandes ideias precisam estar acompanhadas do mínimo de capital para serem iniciadas e disputar nesta selva que é o mercado. O Projeto permite a quem investe capital nessas grandes ideias não ficar contaminado com a eventual falta de êxito da empresa. É uma forma inovadora e moderna de promover o desenvolvimento econômico, que vai beneficiar as startups”, comenta o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), um dos parlamentares que trabalharam pela aprovação do texto na Câmara.

O deputado foi mediador na Mesa Redonda sobre o Programa Startup Brasil do Seminário Competitividade Global das Empresas Brasileiras de TI, promovido pela Softex no âmbito do Rio Info 2015.

Autor da emenda parlamentar ao Orçamento que garantiu ao estado do Rio de Janeiro o montante de R$ 400 mil para financiamento de projetos de Tecnologia da Informação e Comunicação, Leite defende também o financiamento coletivo, feito por meio de sites na internet, como outro novo caminho para dar suporte às startups. O parlamentar propõem incentivos fiscais para quem participar de financiamentos coletivos.  “Quem aposta em crowfunding tem que ter algum tipo de incentivo fiscal porque está contribuindo para o desenvolvimento econômico”, argumenta Leite. Projeto de Lei de autoria do deputado ainda em discussão na Casa propõe a dedução de 10% no imposto de renda do valor investido por apoiadores. Em caso de projetos sociais, o benefício chegaria a 50% do valor.

“Para se tornar um país competitivo o Brasil precisa se livrar dos entraves burocráticos e mudar a cultura governamental. Ainda há muito que fazer, começando pela legislação, que precisa ser simplificada”, critica o parlamentar.

O presidente da Softex, Ruben Delgado, que coordenou o evento, destacou que o programa Startup Brasil é uma demonstração do potencial que os novos negócios passam pela mudança cultural. “A nossa cultura é a cultura do pertencimento. Hoje não existe mais ‘o meu empreendimento’ ou ‘o meu governo’. Os novos empreendedores não têm medo de compartilhar ideias e isso é que faz a startup algo revolucionário”, comenta. “Esse movimento que se faz agora com as startups não é de um governo, é de um estado. Os números do Startup Brasil mostram que aquilo que se semeia hoje trará bons frutos rapidamente”, diz Delgado.

Segundo José Henrique Dieguez, coordenador geral de Serviços e Programas de Computadores, da Secretaria de Política de Informática do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o sucesso do programa se devem, em grande parte, ao rigor com que os projetos inscritos são selecionados. “O filtro para aceitação dos projetos é extremamente rigoroso”, diz, apontando que apenas 5,6% dos projetos inscritos são aprovados pelo Startup Brasil. “Esse é o conceito do programa. O processo de aprovação é difícil, mas a entrega é satisfatória”, acrescenta. Em quatro chamadas, foram feitas 1855 inscrições. Desse total, 183 projetos foram aprovados e atualmente são acompanhados de perto pelo programa.

Projeto que incentiva o investidor-anjo a aplicar recursos em novos empreendedores para foi debatido em seminário da Softex no Rio Info 2015

O Projeto de Lei que amplia os limites para o enquadramento no Supersimples abre uma nova janela para startups brasileiras. Um dos dispositivos incluídos no PLC, aprovado na Câmara e que tramita no Senado, institucionaliza a figura de investidor-anjo, que poderá colocar recursos em novos empreendimentos sem ter que se tornar sócio.

O dispositivo permite tanto a pessoas físicas quanto a empresas atuarem como investidor sem que haja vínculos administrativos com a nova empresa. O investidor-anjo não terá direito a voto ou gerência. Por outro lado, não responderá por qualquer tipo de dívida – tributária ou financeira – caso a nova microempresa fracasse.

“Grandes ideias precisam estar acompanhadas do mínimo de capital para serem iniciadas e disputar nesta selva que é o mercado. O Projeto permite a quem investe capital nessas grandes ideias não ficar contaminado com a eventual falta de êxito da empresa. É uma forma inovadora e moderna de promover o desenvolvimento econômico, que vai beneficiar as startups”, comenta o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), um dos parlamentares que trabalharam pela aprovação do texto na Câmara.

O deputado foi mediador na Mesa Redonda sobre o Programa Startup Brasil do Seminário Competitividade Global das Empresas Brasileiras de TI, promovido pela Softex no âmbito do Rio Info 2015.

Autor da emenda parlamentar ao Orçamento que garantiu ao estado do Rio de Janeiro o montante de R$ 400 mil para financiamento de projetos de Tecnologia da Informação e Comunicação, Leite defende também o financiamento coletivo, feito por meio de sites na internet, como outro novo caminho para dar suporte às startups. O parlamentar propõem incentivos fiscais para quem participar de financiamentos coletivos.  “Quem aposta em crowfunding tem que ter algum tipo de incentivo fiscal porque está contribuindo para o desenvolvimento econômico”, argumenta Leite. Projeto de Lei de autoria do deputado ainda em discussão na Casa propõe a dedução de 10% no imposto de renda do valor investido por apoiadores. Em caso de projetos sociais, o benefício chegaria a 50% do valor.

“Para se tornar um país competitivo o Brasil precisa se livrar dos entraves burocráticos e mudar a cultura governamental. Ainda há muito que fazer, começando pela legislação, que precisa ser simplificada”, critica o parlamentar.

O presidente da Softex, Ruben Delgado, que coordenou o evento, destacou que o programa Startup Brasil é uma demonstração do potencial que os novos negócios passam pela mudança cultural. “A nossa cultura é a cultura do pertencimento. Hoje não existe mais ‘o meu empreendimento’ ou ‘o meu governo’. Os novos empreendedores não têm medo de compartilhar ideias e isso é que faz a startup algo revolucionário”, comenta. “Esse movimento que se faz agora com as startups não é de um governo, é de um estado. Os números do Startup Brasil mostram que aquilo que se semeia hoje trará bons frutos rapidamente”, diz Delgado.

Segundo José Henrique Dieguez, coordenador geral de Serviços e Programas de Computadores, da Secretaria de Política de Informática do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o sucesso do programa se devem, em grande parte, ao rigor com que os projetos inscritos são selecionados. “O filtro para aceitação dos projetos é extremamente rigoroso”, diz, apontando que apenas 5,6% dos projetos inscritos são aprovados pelo Startup Brasil. “Esse é o conceito do programa. O processo de aprovação é difícil, mas a entrega é satisfatória”, acrescenta. Em quatro chamadas, foram feitas 1855 inscrições. Desse total, 183 projetos foram aprovados e atualmente são acompanhados de perto pelo programa.

Painel promovido pela Softex debate o uso da tecnologia da informação nos serviços básicos de atendimento ao cidadão.

As grandes transformações provocadas pelo uso da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) na medicina sinalizam o avanço e retomam o debate em torno da capacidade das máquinas substituírem a presença e o calor humano. O assunto foi debatido ontem no painel Pessoas ou Pacientes? realizado pela Softex no encerramento do Rio Info 2015.

Os especialistas presentes ao debate são unânimes em concordar que a TIC já se consolidou como um importante aliado da medicina na sua relação com as pessoas. Graças a ela, consultas ou mesmo tratamentos hospitalares podem ser feitos com a ajuda do computador ou dispositivos móveis, no conforto da casa mesmo. O usuário do complexo Sistema Único de Saúde (SUS) já pode ter todos os dados do seu cartão de saúde disponíveis em um aplicativo de celular.

“A grande questão que se coloca hoje é a de como fazer com que o abraço virtual seja realmente um abraço. Como trazer a emoção com um clique é o grande desafio que se discute neste momento”, diz Virgínia Duarte, gerente da área de Inteligência da Softex, que coordenou o painel.

Ela opina que o médico, o hospital e o consultório não perdem a sua importância com o novo modelo, mas ganham novas ferramentas para oferecer ao paciente mais tempo e dedicação do que a simples presença física em uma única consulta. “O hospital deixa de ser o local privilegiado de atendimento, muda o espaço da saúde e ganha relevância o que acontece entre uma consulta e outra”, observa.

O novo modo de cuidar da saúde transforma também a estrutura física dos hospitais.  A casa passa a ser um local central no cuidado da saúde. Mas como a casa não é um hospital, novas máquinas passam a ser exigidas. “Serão necessários – e já estão sendo pensados – equipamentos muito diferentes do que a gente conhece hoje dentro de um hospital. São equipamentos leves e de multiuso, reprogramáveis e com capacidade de, a todo instante, ser modificado, dando a possiblidade de monitoramentos diferentes com o mesmo equipamento”.

Virgínia cita como exemplo da nova tendência o uso da internet das coisas e a proliferação de sensores que podem ser, inclusive, injetáveis, implantáveis ou digeríveis. “Esses dispositivos serão capazes de enviar dados, realizar ações programadas e ser reprogramados à distância”.

O recém-lançado cartão SUS Digital mostra que a medicina virtual favorece também as políticas públicas de saúde. Lançado no dia 28 de agosto, o aplicativo para smartphone já se tornou o produto mais buscado do google play. Com vinte dias de funcionamento, havia alcançado 80 mil acessos.

“A conectividade hoje não é mais um desafio. É uma realidade com a qual todas as classes sociais convivem. O usuário do SUS não só tem acesso a este tipo de aplicativo como está ávido por mecanismos que desburocratizem a sua vida no SUS”, garante o diretor do DATASUS, Giliate Coelho Neto. Ele ressalta que políticas de subsídios para o setor de smartphone contribuíram para que haja atualmente 250 milhões de aparelhos celulares no país, dos quais 70% são smartphones.

Com o Cartão SUS Digital, o cidadão pode, por exemplo, acompanhar o controle da pressão e medição de glicemia. Ao preencher as informações, a ferramenta mostra, com auxílio de gráficos, os últimos registros de pressão máxima e mínima e a evolução das taxas de glicemia. Ele também pode indicar se possui alergias, informar se faz uso contínuo de medicamentos, adicionar contatos de emergência e compartilhar as informações com médicos por quem estejam sendo acompanhados.

A partir de março de 2016, o usuário poderá também marcar consultas e avaliar os serviços prestados. O ministério da Saúde estuda formas seguras de tornar disponíveis os dados da saúde. “O nosso desafio é conseguir disponibilizar informações para que elas tenham valor de uso para profissionais de saúde e usuários do SUS. O nosso objetivo é que essas informações possam salvar vidas. Ao mesmo tempo elas precisam ser disponibilizadas de maneira segura para que esses dados em hipótese alguma sejam acessados de forma indevida”, pondera Coelho Neto.

Outra novidade do Ministério da Saúde é o lançamento de uma plataforma do tipo SOA que irá permitir que empresas do setor de TI conectem com a plataforma compartilhando dados e serviços.

Buscando a sustentabilidade, nova Diretoria
apresentou plano de trabalho para 2016

 

Em reunião do Conselho de Administração da Softex – Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro – realizada dia 15 de setembro de 2015, durante o RioInfo, Ruben Delgado foi reeleito como Presidente da entidade para o período 2016/2017.
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A Vice-Presidência passa a ser integrada agora por Fabian Petrait, que ocupava a posição de Diretor Financeiro da instituição, e por Diônes Lima, até então responsável pelas áreas de Inovação, Internacionalização, Empreendedorismo e pelo Programa Start-Up Brasil. Após um ano e meio no cargo, o empresário Ney Leal deixa a Vice-Presidência executiva da instituição para seguir com novos projetos profissionais.

“Todos os projetos executados pela entidade nas áreas de inovação, empreendedorismo, qualidade no desenvolvimento de software e serviços, inteligência comercial, capacitação de empresas e de pessoas têm refletido a nossa busca permanente pelo aumento da competitividade das empresas brasileiras. São ações que beneficiam o ecossistema nacional de TI como um todo e que terão continuidade ao longo dos próximos anos. Vamos seguir trabalhando, mas de forma ainda mais colaborativa e sustentável, no sentido de gerar ainda mais valor para esse segmento tão estratégico para a economia do país”, destaca Ruben Delgado.

Fabian Petrait, Vice Presidente Administração e Finanças, continuará a conduzir a área de controladoria e finanças da entidade. “Há três anos trabalhamos para aumentar a nossa sustentabilidade e reduzir a dependência de recursos públicos para a execução de nossos programas. Nesta gestão seguiremos buscando alternativas para a diversificação dessas fontes por meio de novas parcerias e atuando de forma mais horizontal em uma indústria que de destaca pela transversalidade”, destaca.

Como Vice-presidente de operações, Diônes Lima será responsável pela gestão dos projetos conduzidos atualmente pelas sete áreas da Softex e também pela implementação dos novos programas que serão lançados a partir de 2016.

“Em conjunto com a nossa rede de 22 Agentes Regionais fomentaremos a criação de novos negócios com potencial global a partir do mapeamento das áreas nas quais o país pode ser competitivo no mercado internacional. O programa Brasil Mais TI, de estímulo à formação de novos profissionais para o setor, incorporará em sua grade temas de empreendedorismo e novas trilhas de desenvolvimento de pessoas de acordo com as demandas do novo mercado. Também resgataremos a força dos estudos do núcleo de inteligência do software brasileiro – antigo Observatório Softex, para gerar estudos de valor para os três eixos da tripla hélice: academia, empresas e governo”, antecipa Diônes Lima.

Para o próximo ano, o plano de trabalho da nova Diretoria inclui ainda a abertura de mais turmas do TI de Impacto – Programa de Capacitação Empresarial para o Desenvolvimento da Estratégia de Inovação da Softex em conjunto com uma rede de parceiros; o lançamento da ferramenta Intelectus para mapear as pessoas competentes dentro da academia e com potencial para trabalhar o tema software; o estímulo à internacionalização seguindo os conceitos da metodologia Lean Startup que envolve a identificação e a eliminação sistemática de desperdícios; o fomento ao desenvolvimento do setor de TI com foco em atender a demanda da indústria 4.0 e a ampliação da capilaridade da Softex com a ampliação da rede de Agentes Regionais.

O mercado brasileiro de desenvolvimento de software e serviços de TI cresce acelerado, apoiado na terceirização de atividades realizadas in house para empresas da Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI (IBSS). “As demandas de TI não param e se tornam cada vez mais necessárias, levando as empresas a perceberem que o apoio de fornecedores externos pode contribuir para agilizar o seu processo de informatização. Além disso, elas precisam focar nos seus negócios, reduzindo custos desnecessários provenientes da manutenção de um departamento próprio de TI”, afirma Ruben Delgado, presidente da Softex e coordenador do seminário “Competitividade Global das Empresas Brasileiras de TI”, durante o Rio Info 2015, que acontece de 15 a 17 de setembro no Hotel Royal Tulip, Rua Aquarela do Brasil 75, São Conrado, Rio de Janeiro.

Segundo dados do IBGE, durante o período 2007 a 2012, a receita líquida da IBSS cresceu, em média, 8% ao ano. A partir destes dados, a área de inteligência da Softex estima que, em 2014, a receita líquida da indústria chegou à casa de R$ 100 bilhões. “No âmbito da IBSS, as atividades de suporte técnico/manutenção de TI e de desenvolvimento de portais e oferta de informações para a Internet são as que vêm apresentando maior crescimento ao longo dos últimos anos”.

Segundo Ruben, o crescimento da indústria também está relacionado à tendência natural de informatização de um número cada vez maior de pequenas e médias empresas. “O surgimento de novos modelos de negócios, impulsionado pelo cenário da mobilidade e advento da computação em nuvem, com a adoção de soluções do tipo SaaS (Software as a Service), facilitam o processo de informatização das pequenas. O mercado B2C também tem crescido, embalado pelo fascínio que as novas tecnologias exercem sobre as pessoas, especialmente os mais jovens. Um número cada vez maior acessa apps e serviços através de celulares e de outros dispositivos móveis”.

No cenário regional, as empresas fluminenses contribuem de modo muito significativo para a receita total do setor, mas têm perdido espaço para outros estados. “Estimamos que a receita da indústria de software e serviços de TI do Rio de Janeiro representa, atualmente, em torno de 18% do total da receita da indústria nacional. No entanto, a participação do Rio de Janeiro cai ao longo dos anos, e outros locais têm se tornado cada vez mais relevantes para o desempenho do setor”.

A exportação de softwares e serviços de TI brasileiros também cresceu. Em 2007, eram 149 empresas. O número chegou a 273, em 2012. A área de inteligência da Softex estima que, em 2014, a indústria contava com 315 empresas exportadoras. A receita também cresce ano a ano. Em 2007, o faturamento líquido com exportações foi de R$ 3,6 bilhões, aumentando para R$ 4,1 bilhões, em 2012 (dados PAS/IBGE, a preços de 2013). Para 2014, a Softex estima que o valor exportado chegue mais próximo à casa dos R$ 5 bilhões, representando algo em torno de 4,5% do total da receita do setor.

Desafios e oportunidades

As novas tecnologias, incluindo big data, computação em nuvem, mobilidade e redes sociais, trazem uma série de oportunidades, mas também colocam um grande desafio: a necessidade de as empresas do setor repensarem os seus negócios, reverem o seu portfólio de produtos e serviços, avaliarem as suas parcerias com outras empresas do setor, com fornecedores e clientes. “O cenário é de mudança de paradigma, mudança no jeito como as pessoas vivem e trabalham e utilizam a TI. Nossas empresas têm de estar atentas a este movimento”.

Para que o setor continue a crescer e acompanhe o cenário de rápidas mudanças, outra importante dificuldade do setor que precisa enfrentar refere-se à formação de recursos humanos. “As novas tecnologias também irão requerer um conjunto todo novo de competências. Cada vez, haverá maior convergência entre software ehardware e entre as atividades de TI e os negócios core das empresas. Para lidar com estas convergências, os profissionais de TI terão de ter um perfil de competências, habilidades e atitudes distinto do que possuem atualmente”.

Para Ruben, as pequenas empresas que compõem a maior parte da indústria nacional de software e serviços de TI, têm como vantagem a fácil adaptação a novos cenários, mas precisam apostar em novas oportunidades do mercado em parceria com as grandes. “Elas precisam ganhar musculatura e ampliar a sua área de atuação, em geral, ainda muito focada em mercados locais e pequenos negócios. Alternativa ao crescimento seria a sua organização em consórcios ou outros arranjos empresariais, em busca de combinar produtos próprios com os de parceiras, permitindo a oferta de serviços fim-a-fim para os clientes, em geral de grande porte”.

Inovar para se tornar competitivo

O desenvolvimento da indústria nacional de software e serviços de TI sempre foi muito orientado para o mercado interno, mas recentemente vários fatores têm permitido que empresas, antes com foco local, ampliem suas fronteiras. “Houve mudanças na forma como o mundo é percebido, com uma redução relevante nas distâncias, antes muito acentuadas, entre local e global. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar e o baixo crescimento econômico do país colaboram para tornar o mercado externo muito atraente”, afirma Ruben Delgado, presidente da Softex.

A inovação, em especial em software, é um importante diferencial competitivo brasileiro, que tem aberto portas para uma maior atuação em outros mercados. “O Brasil tem tudo para alcançar destaque nesta área até por nossa tradição em criatividade. Ao longo do tempo enfrentamos e superamos diversos períodos de crises econômicas, que incluíram até a adoção de novas moedas. Esta capacidade de descobrir novos caminhos e superar cenários adversos está em nosso DNA. O que o Brasil precisa é ter uma estratégia de posicionamento no mercado global, priorizando determinados segmentos”.

As empresas também têm dado mais atenção ao mercado externo a fim de melhor enfrentar os concorrentes que chegam ao país. “Essas chegadas podem ameaçar a sobrevivência das brasileiras que não estiverem preparadas para atender clientes cada vez mais acostumados com um padrão global de produtos e serviços. Os países da América Latina e os Estados Unidos são os principais destinos das nossas empresas.”

No entanto, ressalta, Ruben, a chegada de empresas estrangeiras também pode significar novas oportunidades e parcerias com grandes clusters. “O Brasil possui um mercado interno relevante, com mão de obra relativamente barata (quando comparada à dos países desenvolvidos) e pode ser utilizado como trampolim para o acesso a outras localidades da América Latina. Esses fatores atraem empresas estrangeiras, geram negócios, ampliam a nossa receita com atividades de software e serviços de TI”.

O principal diferencial da indústria brasileira de software e serviços de TI, segundo Ruben, é o conhecimento do mercado local e das especificidades do país, incluídas as questões relacionadas às regras locais de negócios, relacionamento com o cliente, conhecimento da legislação e da cultura local. “No que diz respeito especificamente ao mercado de software, a vocação nacional tem a ver com o software para aplicações, ou seja, direcionado para o usuário final, seja para o mercado horizontal (ERP, CRM, RH, fiscal) seja para o mercado vertical (saúde, educação, telecomunicações, gestão pública etc.)”.

Para avaliar o potencial de internacionalização da indústria, a Softex utiliza uma metodologia que considera fatores diversos: resultados comerciais, conhecimento acumulado, atitude frente ao mercado externo e capacidade de operacionalização. A metodologia foi aplicada em empresas participantes do Projeto Setorial Softex/Apex-Brasil e os resultados estão em fase de avaliação.

* Com informações da Assessoria do Rio Info 2015.