Representantes do governo, academia e setor produtivo se reuniram nesta quarta-feira, 6 de maio, em São Paulo, para discutir os caminhos da soberania tecnológica no Brasil. O debate integrou o XI Congresso da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABIPTI) e teve como foco áreas críticas para a segurança nacional e o desenvolvimento do país.
O painel reuniu Lisandro Granville, diretor-presidente da RNP; o contra-almirante Charles Wilson Gomes Conti, do Ministério da Defesa; e Christian Tadeu, presidente da Softex. A mediação foi conduzida por Sílvio Bittencourt da Silva, diretor do Parque Tecnológico de São Leopoldo (Tecnosinos).
Abrindo os debates, Christian Tadeu foi incisivo: “nenhum país é soberano se depende da tecnologia dos outros”. Segundo ele, o Brasil ainda consome mais tecnologia do que produz, um cenário que amplia a dependência externa, gera vulnerabilidades digitais e reduz a competitividade global.
O executivo destacou que a soberania tecnológica deixou de ser um conceito abstrato. Em um ambiente global marcado por disputas geopolíticas, ativos como dados, infraestrutura digital, inteligência artificial e cibersegurança passaram a ocupar posição central. “O mundo já entendeu que tecnologia é poder”, afirmou.
Para Christian, soberania não significa isolamento, mas capacidade de escolha. Envolve definir prioridades, selecionar parceiros e construir autonomia para inovar e liderar. Entre os temas estratégicos, ele citou inteligência artificial, cibersegurança, semicondutores, governança de dados e computação quântica.
Apesar dos desafios, o presidente da Softex avalia que o Brasil reúne condições para avançar. “Temos mercado, talento e um ecossistema em expansão e precisamos transformar esse potencial em estratégia”, disse, defendendo uma maior articulação entre governo, academia e setor produtivo. “A soberania se constrói com convergência: um governo que direciona, uma academia que desenvolve e empresas que executam,” ressaltou.
Christian também destacou o papel da Softex na articulação desse ecossistema, lembrando que há 30 anos a entidade atua na formação de talentos, no apoio à inovação e na conexão com mercados internacionais. Só no ano passado, mais de 4,5 milhões de pessoas foram alcançadas por suas iniciativas, com 383 mil capacitações realizadas e apoio a mais de 2 mil empresas e 1,7 mil startups.
A relação entre tecnologia e segurança nacional foi outro ponto destacado. “Não há segurança nacional sem segurança digital, e não há segurança digital sem capacidade tecnológica própria”, afirmou. Para Christian, a dependência pode parecer eficiente no curto prazo, mas acaba por gerar fragilidades ao longo do tempo. “Soberania tecnológica não é discurso. É decisão. E o momento de decidir é agora”, concluiu.
Por Karen Kornilovicz
Agência Softex